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08/06/2009

Palhas do Coqueiro


O Especial Dia dos Namorados da Alê me motivou a contar algumas historinhas sobre minha humilde trajetória no campo amoroso.

Bicho, fiz as contas. Tive 17 namorados na vida. Se eu considerar os rolinhos a lista vai embora, mas COMO NÃO VEM AO CASO, fiquemos com os números oficiais.

O fato é que tenho história pra cacete. A começar pelo meu primeiro beijo. Assim como a Alê, eu também estava na 8ª série e ainda não tinha beijado ninguém. Anos e anos de amor platônico pelo Marcel, um loiro lindo 3 anos mais velho que eu que até correspondia meus olhares de femme fatale, mas nada de chegar junto. Um dia cansei de idealizar o meu primeiro beijo com meu primeiro amor e parti para onde todo mundo vai quando quer se dar bem: balada.

Mas minha balada era uma matinê de domingo. Veja bem, eu tinha 14 anos. E foi lá que eu o avistei. Moreno, cabelo comprido, olhos verdes, camiseta branca com um coqueiro e um jeans meio desbotado. Brega. Mas lindo.

Fui me aproximando, dançando mais perto, para ele me notar. E ele notou. Foi se aproximando também. Dançava, olhava e virava para o outro lado. E eu lá, maior dançarina do Faustão com as minhas coreografias de acasalamento. Aí ele pára e vai falar com o amigo, cochichando. Os dois olham pra mim. Gelei. Ele caminha na minha direção. Era isso. Tinha chegado a hora. Eu ia dar o meu primeiro beijo. Me deu vontade de sair correndo, mas fiquei, né moleque? Rá!

- Iaí?
- Iaí.
- Firmeza?
- Firmeza.

Todo o romantismo do adolescente carapicuibano.

- Meu amigo quer te conhecer.

Meu mundo caiu. C-O-M-O-A-S-S-I-M-S-E-U-A-M-I-G-O?
Que vontade de meter-lhe uma voadora, mas me contive. Àquela altura, antes o amigo do que a fama de boca virgem. E o amigo não era de todo mal, devo admitir. Moreno também, cabelo comprido também, só que com 19 anos (eu tinha 14!) e bombado de academia. Não era o mundo ideal, mas tinha lá o seu valor.

Estava pensando no que um cara da idade dele queria numa matinê quando ele chegou e se apresentou. Rogério. Conversamos um pouco, ele me puxou pro canto, me encostou na parede e me deu um beijo. Achei esquisito. Fiquei frustradíssima. Quando acabou, ele olhou pra mim e perguntou: “você nunca tinha beijado antes?” EEEEEEEEEEU? Lóóóógico que já!!!!! Fiquei brava e larguei ele lá.

Ele veio atrás, se desculpou, disse que não tinha a intenção de me ofender e que queria ficar comigo aquela tarde. Ficamos. E isso aconteceu outras vezes, até eu marcar um encontro bem no dia do show dos Raimundos no Hollywood Rock de 96. Numa época em que quase ninguém tinha celular, eu não tinha como avisá-lo que eu iria, OBVIAMENTE, ficar em casa vendo o show pela MTV (gravei, devo ter até hoje, era muito fã). Acabou tudo, claro. Mas o show foi sensacional!

06/05/2009

Mano!

Chamada na capa do Terra.
Sem mais por hoje.


23/04/2009

Natureza


Estava hoje conversando com umas amigas sobre o fenômeno Suzan Boyle (vídeo aqui pra quem ainda não viu. É um dos mais vistos na história do Youtube, ganhando até da posse de Obama).

Não, eu não vou dizer que chorei horrores com a apresentação dela (até porque eu não chorei mesmo). Também não vou repetir tudo o que o João Pereira Coutinho e o Contardo Calligaris já disseram. Na verdade, achei que este fato tomou proporções exageradas. Virou um espetáculo.

Claro que Susan cantou bem e humilhou o público presente que duvidava de seu talento, isso é indiscutível, mas e se ela desafinasse? E se ela não soubesse a letra? E se ela se calasse com vergonha daquela imensidão de pessoas rindo dela? Ela certamente continuaria sendo a feia e esquisita que foi ridicularizada em rede nacional. Esse vídeo só fez sucesso porque ela quebrou os preconceitos. Se não quebrasse, ninguém nem saberia do episódio.

Uma salva de palmas para nós, seres humanos. E uma em especial para mim, jornalista.
* Em tempo, vejam esta tira do Wagner e Beethoven comentando o assunto. Dica da Angélica ;)

22/04/2009

Sopros e poemas

Estou admirada com o trabalho do grupo francês Les Souffleurs Commandos Poétiques. Trata-se de um coletivo (atores, músicos, escritores e artistas plásticos) que sussurra poemas nos ouvidos do público através de tubos de, no mínimo, 1,80 m de comprimento.

O grupo chega ao Brasil no início de maio para duas apresentações na Virada Cultural (02/05 às 21h e 03/05 das 14h às 18h) na Catedral da Sé. Imagine o quão lindo deve ser ouvir esses pequenos sopros dentro de uma igreja daquele tamanho. Achei de uma delicadeza sem igual.

Videozinho para os interessados em http://www.les-souffleurs.fr/ . Clique em Gallery e, depois, Films (para quem gosta de ver a reação das pessoas em intervenções como essa, recomendo o vídeo Rues d”Aurillac).


Escritor e jornalista

Do blog da Cecília Giannetti.

GUILHERME APOLINÁRIO era A Nova Literatura. Estava hospedado pelo verão no apartamento mais espaçoso do prédio mais caro da Vieira Souto, com aluguel pago pela revista "Artiste". Não falava mais com jornalistas porque nenhuma entrevista jamais fizera jus à sua personalidade.

Pelas muitas resenhas favoráveis publicadas sobre seus livros -e por patrocinar a vista perfeita que o autor agora observava quando queria descansar os olhos do computador-, a revista tentava garantir uma exclusiva com Apolinário.

A última entrevista coletiva do escritor resultara em best-seller. Para executar o projeto, mantivera cinco jornalistas presos numa suíte de hotel em Montmartre, em Paris, por 72 horas.

Obrigara-os a anotar cada palavra que diziam e pensavam durante o sequestro, com delineadores Lancôme sobre cadernetas Moleskine. Liberou-os sob a ordem expressa de que não falassem sobre o caso -ou seriam perseguidos e perderiam férias e 13º salário. Embora o escritor tenha apontado uma arma para o grupo, as autoridades nem sequer ficaram sabendo: o segredo editorial do século, a importante experiência realista-literária foi acobertada por todos os veículos -interessadíssimos em transformá-la em um sucesso comercial.

A ideia, que o escritor tivera em meio a um porre de gim em Buenos Aires, havia sido repassada por ele mesmo a alguns veículos, que não explicaram aos seus melhores repórteres exatamente qual era o plano. Enviados a Apolinário, chegaram entusiasmados com gravadores, ignorando qualquer risco, até o autor anunciar que eram reféns. O jovem escritor girou a pistola, gargalhou com bafo de uísque e os escribas passaram a rabiscar desesperadamente, misturando medo e decepção diante do sujeito que poderia muito bem ser o Maior Escritor Vivo.

Apolinário então reuniu os textos colhidos naquela suíte parisiense, sob a mira de seu revólver, à sua própria visão do episódio em um grosso volume. Jornais, revistas e sites aclamaram a originalidade de seu processo criativo.

Duas reimpressões em seis meses foram o começo da brilhante carreira desse livro, que até hoje não esquenta muito tempo em prateleira de livraria alguma. Os repórteres envolvidos ganharam bônus e cargos por sua discreta, apesar de apavorada, colaboração, além da distinção de terem conhecido pessoalmente Apolinário.

O jovem escritor, sentado em frente ao laptop, agora digita freneticamente, olhos encobertos pela fumaça do cigarro.

Uma das certezas sobre Apolinário, sempre usada para descrevê-lo, é de que pertence à estirpe de Rimbaud: uma energia faiscante que começara a pensar cedo demais e escrevia a todo vapor antes que a juventude o abandonasse.

A origem de tal fama era um press-release enviado antes mesmo do lançamento do livro de estreia do escritor, ou mesmo de sua escritura -um caso nada raro de material para a imprensa produzido graças ao uso de clarividente cara-de-pau.

Das coisas simples da vida

A felicidade que traz uma panela de pressão.
Muita, muita, muita saudade desse casal fofo!
Aqui.

15/04/2009

Paris Boutique

E ele me perguntou, o moço das chaves invisíveis, se eu era uma vírgula ou um suspiro. Empinei o nariz e respondi, fingindo autoconfiança, que estou mais para o milagre das bolhas de sabão que ainda não estouraram no céu.

03/04/2009

É o futurismo, menina


- Ele quer te comer!
E eu pensei: que bom! Imagina sair com um cara que não quer te comer, que fracasso.
As pessoas complicam as relações e depois jogam a culpa no outro. Não é do outro. É desse tipo de coisa. Fica todo mundo vivendo em 1920 com roupinha de show do Radiohead e depois se acha no direito de se fazer de vítima. Perde um tempão fazendo joguinho, querendo ter o controle da situação, quando, na verdade, está morrendo de medo de viver. Todo dia de manhã, ao andar cantarolando rumo ao trabalho dos meus sonhos, eu olho aquela fila de gente engessada e penso o quanto deve ser chato existir só para respirar.

28/03/2009

Vida doce

Pela ordem dos acontecimentos e grandeza das coisas eu deveria falar dos shows do Los Hermanos, Kraftwerk e Radiohead na semana passada. Mas não vou. Não sei falar das coisas que todo mundo vê. Talvez até saiba, mas não gosto. Prefiro falar o que só eu vejo. Ou o jeito que eu entendo as coisas que vejo. Gosto de pegar meu mundo bobo, botar um enfeite e pregar na parede.

Gosto de pensar que a vida é feita de imagens. Pedacinhos de coisas importantes. E nessa grande colcha de retalhos, a cena mais linda que presenciei recentemente foi o Marcelo Camelo cantando Santa Chuva no Sesc Pinheiros. Plateia em coro cantando baixinho e segurando um coração. Uma das músicas mais lindas que existe.

Eu adoro o SOU do Marcelo Camelo. Primeiro porque o SOU vira NÓS e disso todo mundo gosta. Mas é um álbum de solidão. De canções tristes, domingo no fim de tarde, chuva na praia em plena quarta-feira de inverno. Poucas pessoas cantam a tristeza com tamanha propriedade.

Eu posso até não entender de música, mas de tristeza eu entendo.

Santa Chuva
Marcelo Camelo

vai chover de novo
deu na tv que o povo já se cansou de tanto o céu desabar
e pede a um santo daqui, que reza a ajuda de deus
mas nada pode fazer se a chuva quer é trazer você pra mim

vem cá que tá me dando uma vontade de chorar
não faz assim
não vá pra lá
meu coração vai se entregar à tempestade

quem é você pra me chamar aqui se nada aconteceu?
me diz, foi só amor ou medo de ficar sozinho outra vez?

cadê aquela outra mulher?
você me parecia tão bem
a chuva já passou por aqui
eu mesma que cuidei de secar

quem foi que te ensinou a rezar?
que santo vai brigar por você?
que povo aprova o que você fez?
devolve aquela minha tv que eu vou de vez,

não há porque chorar por um amor que já morreu
deixa pra lá, eu vou, adeus
meu coração já se cansou de falsidade


Sim, a Mallu cantou Janta com ele. “Vem aqui Malluzinha, meu amor”.
NHOM.

25/03/2009

É a crise

De: Daia
Enviada em: quarta-feira, 25 de março de 2009 14:08
Para: turminha
Assunto: quem é que estava atrás de namorado mesmo?

http://www.desencalhawanderson.com.br/

* * *

De: Amiga 1
Para: turminha
Enviadas: Quarta-feira, 25 de Março de 2009 14:10:40
Assunto: RES: quem é que estava atrás de namorado mesmo?

“Que nunca tenha sido casada com alguém que esteja vivo.”

Hahahaha.
Gente, será que é sério um troço desses?

* * *

De: Daia
Para: turminha
Enviadas: Quarta-feira, 25 de Março de 2009 14:25:01
Assunto: Res: RES: quem é que estava atrás de namorado mesmo?

pior que é
http://www.interney.net/blogs/virunduns/2009/03/25/desencalha_wanderson/

* * *

De: Amiga 2
Enviada em: quarta-feira, 25 de março de 2009 14:30:06
Para: turminha
Assunto: Re: quem é que estava atrás de namorado mesmo?

eu repassei pra mulherada aqui no silviço e, tipo, NINGUÉM aqui estaria apta pra casar com o hómi.

* * *

De: Amiga 1
Para: turminha
Enviadas: Quarta-feira, 25 de Março de 2009 14:36:50
Assunto: RES: quem é que estava atrás de namorado mesmo?

Eu já morei de maneira amasiada com alguém que está vivo.
Acho que também não tenho chances com Uandy. :(

* * *

De: Daia
Enviada em: quarta-feira, 25 de março de 2009 14:51:17
Para: turminha
Assunto: Res: RES: quem é que estava atrás de namorado mesmo?

eu não posso, já fui atriz pornô.

* * *

De: Amiga 3
Para: turminha
Enviadas: Quarta-feira, 25 de Março de 2009 14:59:13
Assunto: Re: RES: quem é que estava atrás de namorado mesmo?

eu ainda sou atriz pornô.

* * *

De: Daia
Para: turminha
Enviadas: Quarta-feira, 25 de Março de 2009 15:02:28
Assunto: Res: RES: quem é que estava atrás de namorado mesmo?

e moramos de maneira amasiada com uma galera, já

* * *

De: Amiga 2
Enviada em: quarta-feira, 25 de março de 2009 15:04
Para: turminhaAssunto: Re: RES: quem é que estava atrás de namorado mesmo?

eu também já morei de maneira amasiada!!!!

* * *

De: Amiga 1
Para: turminha
Enviadas: Quarta-feira, 25 de Março de 2009 15:06:11
Assunto: RES: RES: quem é que estava atrás de namorado mesmo?

Ai, gente, nem pra Wanderson eu sirvo.
Que lama!

* * *

Pequenas histórias


Para ler ouvindo Family Tree, do Belle and Sebastian.

::Quando fui ao show do Sonny Rollins com umas amigas, no Ibirapuera, conheci dois japoneses de verdade. Eu nunca tinha conhecido um japonês de verdade, só filhos de japoneses de verdade, então fiquei bastante curiosa. O que me chamou atenção foi que eles eram lindos e usavam essas roupas de rockstar britânico, combinando terno com tênis. Um deles carregava um instrumento e sentou em cima da caixa para ver o show. O outro veio em nossa direção e nos perguntou, em um português quase japonês, onde havíamos comprado cerveja. Explicamos e ele ficou com cara de paisagem. Sentou na caixa com o outro moço bonito e lá ficou uma meia hora. Olharam pra trás quase que ao mesmo tempo. Talvez tenham combinado. Acenaram e foram embora::

::Eu fiz apenas uma declaração de amor em toda a minha vida. Dessas de filme, digo. A princípio eu não ia fazer porque tinha vergonha, mas depois eu pensei bem e me dei conta de que tudo o que eu mais queria na vida era que ele soubesse que eu sempre estaria por perto. Eu era uma ótima observadora. Não fazia barulho, não chamava atenção, não pedia nada em troca. E ele poderia estar no pior dia da sua vida, onde tudo deu errado, que ainda assim eu estaria lá. Gravei um CD com 11 músicas que contavam, de forma linear, a nossa história. Desde quando me apaixonei até quando me lasquei. Fiz um encarte à mão, colocando as letras de todas as músicas em um papel que virava uma dobradura. Fechado parecia um livrinho. O título era algo como “Das canções que eu quis fazer pra você, mas fizeram antes de mim”. Mais ou menos isso. Foi lindo. Todo mundo devia declarar seu amor. Parece que nasce um monte de estrelinhas dentro da gente::

::Quando eu era pequena gostava de visitar meu avô e acompanhá-lo ao Bar do Mané. Os seus amigos de bar me chamavam de neta do Antonio e me davam balas coloridas. Um dia ele não quis me levar e eu questionei, indignada. Ele disse que não podia porque ia namorar. Chorei o dia inteiro. Minha avó me consolava falando que era mentira, que ela era a namorada dele pra sempre, mas eu não me conformava. Acho que foi a primeira vez que senti ciúme de alguém na minha vida::

::Aliás, quando criança eu andava com uma saia na cabeça porque queria ter o cabelo comprido e minha mãe não deixava::

::Eu tenho uma amiga que namorou o mesmo cara que eu, coisa de seis meses depois do meu rompimento. Ele era escritor e a gente foi meio que abduzida pelo papo dele, todo sedutor. Mas eles também não deram certo e tudo voltou a ser como era antes. Um belo dia fomos, eu e ela, a uma livraria. Vimos um livro interessantíssimo sobre “como conquistar os homens e fazê-los reféns de vocês, mulheres maravilhosas”. Estávamos super entretidas na leitura desse livro tão espetacular quando demos de cara com nosso ex, mega intelectual e posudo, plantado na nossa frente::

24/03/2009

Everybody's Gotta Learn Sometimes


Chegou aquela semana chata que antecede a semana de despencar. É como se o mundo se tornasse um grande zumbido e meus olhos fossem a janela da sala num dia de chuva. Eu sinto o cheiro das flores, mas depois penso que elas nem devem crescer mais.

Eu só queria saber quanto tempo falta para enlouquecer.

Mas ninguém diz.

20/03/2009

Os astronautas estão subindo


A Rua Augusta está mudando, é fato. É muita democratização, minha gente. Vi hoje uma matéria engraçada sobre o perfil dos frequentadores (eu, no caso) e dos novatos. Se liga:

::Quem circula pela região::

Clássicos

- Punks, emos, rockers e modernos
- Hippies e manos
- Gays e lésbicas
- Travestis e prostitutas

Novatos

- Playboys
- "Povo da firma" (frequentadores da happy hour)
- Garotas superproduzidas (maquiadas, de vestido e salto alto)

Medo de saber quem sou eu ali no primeiro grupo. Muito medo.

19/03/2009

Vamos todos

prestigiar a Cleo.


Não sobre o amor


A crítica eu deixo para o Tiago, vou fazer apenas alguns comentários sobre a peça que vimos juntos. O tempo todo eu tentava administrar aquele cenário complexo com cama e mesa coladas na parede, mas vinha uma avalanche de informações densas sobre o amor, a dor, o descaso e a solidão que me faziam perder o rumo.

Uma passagem que me marcou foi quando a garota disse pra ele amar a ela e não amar o amor que sente por ela. Me lembrou muito minha fase Gikovate sobre “como amar melhor o outro e a si mesmo”. Gikovate é minha autoajuda disfarçada de psicanálise.

E como é inconcebível o fato do outro não retribuir o seu amor, não? Você culpa, agride e humilha aquele que não se dá conta do quanto você é importante. “Sabe com que você está falando? Eu sou a pessoa mais importante desse universo inteiro!”

Não sobre o amor traz diálogos que doem fundo, causam reflexão e mostram o quanto somos escravos de um sentimento que seduz e mata. Com Leonardo Medeiros e Simone Spoladore. Direção: Felipe Hirsch. Teatro do SESI – São Paulo.

12/03/2009

Contextos

Certa vez, há muito tempo – eu deveria ter doze ou treze anos-, tentei explicitá-lo, explicitar o vazio, o medo abismal em que eu às vezes desmorono. É como se eu fosse despencar do mundo. A verdade é que me faltam as palavras, o mar reflui e me arrasta com ele, não consigo opor resistência – o que eu tampouco quero -; só desejo desaparecer para todo o sempre.

Mergulhando nas trevas ameaçadoras, vou ao encontro do medo a fim de me entregar a ele e, conforme o tempo escoa, sinto-me entontecida, odeio esse corpo entontecido, quero desfazer-me dele, quero perdê-lo, quero que cesse todo e qualquer pensar. Trata-se de uma mescla de desvario, volúpia e melancolia.

Quando tudo passa, deixa atrás de si uma terrível acuidade, uma clareza branca e elétrica em que eu sei não querer estar, consciente de que tudo se apresenta revestido de uma camada de ódio; as plantas, as coisas, o caminho pelo qual eu ia todos os dias à escola, até que essa tormenta arrefece, dando lugar a uma calma voluptuosa que me reconcilia com tudo, ainda que eu tenha a consciência de que toda e qualquer coisa apresenta a espessura de uma membrana, transparente.

A ilusão de que jamais voltarei a me acostumar com o mundo por estar nele e ao mesmo tempo não estar, e ter que ajustar esses elementos antípodas irreconciliáveis.

Cees Nooteboom em Paraíso Perdido, pág.32


02/03/2009

Ruim de conjugação

Não que ela gostasse, mas ele até que tinha um charme. Ficava por ali nas redondezas mostrando que existe e exibindo um sorriso largo para ela notar qualquer coisa de valor. Não que ela se importasse, mas ela perdia sim alguns minutos tentando entender o que aquele cara mais ou menos despertava nela.

[E se ele estivesse de costas ela ainda assim o identificaria]

Não que isso insinue algo, mas ela reparou que ele bebia sempre as mesmas doses em goles cheios, limpando a boca com o canto da camisa de algodão que ele ganhou no verão de dez anos atrás. Não que ela repare, mas os olhos deles têm se olhado mais que antes e alguma coisa deu pra brilhar esquisito e acelerado no meio desse pouco caso todo.

26/02/2009

autoexplicativo

16/02/2009

segunda-feira

preparando surpresinhas e sorrisos.
só terá uma boa semana quem clicar aqui.

11/02/2009

Um monte de coisas escondidas debaixo do tapete

Quando você me ouvir cantar
Venha não creia
Eu não corro perigo
Digo, não digo, não ligo
Deixo no ar
Eu sigo apenas porque eu gosto de cantar

Tudo vai mal, tudo
Tudo é igual
Quando eu canto e sou mudo
Mas eu não minto
Não minto
Estou longe e perto
Sinto alegrias, tristezas e brinco

Meu amor
Tudo em volta está deserto
Tudo certo
Tudo certo como dois e dois são cinco

Quando você me ouvir chorar
Tente, não cante, não conte, não cante comigo
Falo, não calo, não falo
Deixo sangrar
Algumas lágrimas bastam pra consolar

Tudo vai mal
Tudo
Tudo mudou
Não me iludo e contudo
É a mesma porta sem trinco
O mesmo teto
E a mesma lua a furar nosso zinco

Meu amor
Tudo em volta está deserto
Tudo certo
Tudo certo como dois e dois são cinco


Roberto e Caetano.

05/02/2009

Mulheres

Você precisa entender que mulher não é livro, enigma, mistério, problema matemático, sonho psicanalítico, arquétipo junguiano ou mapa astral. Mulher não se interpreta. Mulher não se resolve. Mulher não se lê. Freud, Sherlock Holmes, Fermat e Harold Bloom não explicam. Se quiser saber, a última coisa que você deve fazer é tentar entender, adivinhar, solucionar ou perguntar. Talvez ela mesmo não saiba. Talvez ela fale algo que não é bem certo. Elas não mentem, só alternam verdades (é por isso que com mulher se dança).

Gustavo Gitti aqui.

02/02/2009

Das coisas que só acontecem comigo


Essa é a historia do gato que foi adotado pela Luciana Gimenez.

Eu juro que é verdade.

Quarta passada minha irmã achou um gato LINDO na esquina da Paulista com a Haddock Lobo, em meio ao temporal. Enfiou no carro e levou pra casa, mas não pudemos adotar porque já temos dois absurdamente ciumentos e dotados de uma grande capacidade de urinar pelos quatro cantos da casa para marcar território no breve período em que o gatinho se instalou. O caos.

Pois bem, na quinta à noite fui levar o gato, já chamado de LUI (ele, em francês, porque ele tem cara de gato francês) ao veterinário com minha irmã quando toca meu celular e minha mãe aparece aos berros dizendo que LUI estava com uma foto estampada no programa de Luciana Gimenez.

Arrã. Desliguei sem grandes preocupações. Minha mãe adora uma piada sem graça.

Eis que chego em casa e encontro meus pais eufóricos, esbaforidos, falando ao mesmo tempo sobre LUI e sua quase fama. O negócio é o seguinte: Luciana deu um gatinho igual ao LUI para uma menina, filha de uma de suas funcionárias, e o gatinho desapareceu. A menina adoeceu e Luciana resolveu usar seu programa para fazer um apelo em rede nacional em busca do gatinho. Minha mãe viu, lógico. Primeira coisa que ela faz quando acaba o Big Brother é colocar no programa da Gimenez.

A partir daí foi uma confusão. Meu pai ligou na produção do programa, pediu para passar a foto de novo, passaram, aí anotaram nosso telefone, ligaram, pediram foto do LUI e, como se não bastasse, a própria Luciana falou com a minha mãe por telefone assim que acabou o programa. Quando cheguei do veterinário tive que ouvir tudo isso em detalhes, os dois falando ao mesmo tempo, vai vendo.

Bem, não era o LUI, mas Luciana gostou dele e resolveu adotá-lo para alegrar a menininha. Na sexta de manhã me aparece um carro da Rede TV em casa e pega LUI, que já estava com a agenda programada para o pet shop e veterinário em Alphaville.

Em agradecimento, recebi da Luciana um e-mail me chamando de fofa (eu que mandei as fotos e vídeos do LUI ao e-mail pessoal dela) e um convite para o Superpop, diretamente de seu BlackBerry da Claro.

30/01/2009

Free Cesare Battisti

Sim, estou com encosto de guerrilheiro, só pode, mas o fato é que estou profundamente decepcionada com o cancelamento da vinda de Berlusconi ao Brasil. Já estava entusiasmada com minha máscara super top de premiê italiano, a la Viva Zapatero, mas ainda não será dessa vez.

Sério, eu queria dar um beijo na boca do Tarso Genro e chamá-lo de gatão, mon amour. Porque é EVIDENTE que a Itália quer dar um fim no Cesare Battisti. O cara fala demais e está finalizando seu terceiro livro, repleto de denúncias sobre os anos de chumbo em seu país na década de 70. Se o Brasil negar refúgio político e extraditá-lo, já era principesso.

Em entrevista a IstoÉ dessa semana, Battisti diz que é comunista desde sempre e, lógico, nega ter cometido os quatro homicídios de que é acusado (dois agentes políticos, um açougueiro e um joalheiro). Isso eu nem acredito, pra ser sincera. Por ser um ex-ativista político do PAC, com histórico de luta armada, acho possível. De qualquer forma, o cara poderia cumprir uma pena menos severa do que a prisão perpétua proposta pela Itália. No Brasil ele está preso desde 2007, em Brasília, e aguarda a decisão do Supremo Tribunal Federal para o seu pedido de refúgio.

Sou a favor de deixar o cara preso no Brasil. Se ele tiver que pagar pelo que fez, que seja em qualquer lugar, MENOS na Itália. Berlusconi é o cara mais sujo de que tenho notícia atualmente pós era Bush. O cara controla toda a mídia italiana e pouquíssimas informações sobre sua gestão chegam até nós sem passar pelo seu filtro.

Outro ponto que deixa clara a perseguição política por parte da Itália é a ausência de um depoimento oficial de Battisti a respeito dos homicídios. Ouviram uma série de testemunhas, mas não ouviram o acusado.

Espero que o Lula permaneça fiel à decisão do Tarso e vete um possível pedido de extradição concedido pelo STF, afinal a constituição lhe dá esse direito como Presidente da República.

29/01/2009

Vai Obama!

Este site é muito legal, mostra o dia da posse de Barack Obama sob diversos olhares. Vi no site da Piauí.




















Mas eis que chega a roda viva

Sigo imersa no histórico da VPR - Vanguarda Popular Revolucionária, um grupo armado de esquerda que queria derrubar o regime militar no Brasil nas décadas de 60 e 70. Seu líder mais famoso foi Carlos Lamarca. Para financiar a revolução o grupo realizava assaltos à mão armada, principalmente bancos. Para negociar a libertação de presos políticos, sequestravam pessoas importantes como embaixadores e cônsules (palavra esquisita). Em linhas gerais, são até hoje chamados de terroristas por muita gente que não se aprofundou na causa (pra variar).

Vale a pena o estudo.

23/01/2009

Os melhores contos de fadas

O Centro Cultural São Paulo apresenta de 27/1 a 8/2 um recorte da produção soviética cinematográfica dedicada ao tema contos de fadas com adaptação de obras de escritores russos e internacionais.
Os filmes serão exibidos em DVD e legendados em português.
Entrada livre.
Retirada de ingressos uma hora antes de cada sessão.
Sala Lima Barreto (110 lugares)
Para sinopses e horários clique aqui.
Co-realização: Consulado Geral da Rússia em São Paulo.


15/01/2009

Nhom

Calendário do Calvin e Haroldo para quem quiser marcar aniversários e compromissos de forma divertida.

Aqui.

13/01/2009

Boicote

Até que enfim alguém resolveu ter uma atitude digna no mundo virtual.
Abaixo a tira do Malvados.



Praça Pública

Ele apareceu de mansinho contando os passos e sussurrou um oi tão tímido que até me fez corar por compaixão. Puxou a cadeira já se desculpando pelo barulho do arrastão. Fiz que não era nada. Fingi não notar que ele perdeu algum tempo arrumando o cabelo e escolhendo os sapatos. Ele ajusta os dedos compridos que enfeitam as mãos largas que seguram o violão. Estremeço. Ele fecha os olhos e canta qualquer coisa de amor que mesmo se não fosse amor já seria lindo demais. Esse menino é a música mais bonita que eu ouvi nesse verão.

04/01/2009

A arte de ter o rabo preso

...ou quanto eu valho mesmo?

São quase cinco e meia da manhã e tô lendo uma discussão enorme sobre a blogosfera e seus posts pagos. Por conta disso, quero deixar bem claro que nenhuma das bandas citadas no post abaixo me pagou para tal divulgação, ok? Sou groupie mesmo. RÁ! Até porque eu devo estar na posição 1 milhão e meio desse ranking de blogueiros, vamos combinar.

Mas o assunto muito me interessa. Acho anti-ético esse tipo de ação de marketing, como já discorri anteriormente. Estou até tentada a participar de uma baderninha de fundo reflexivo contra os anunciantes da blogosfera. Veremos.