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24/12/2009

Vai chover de novo

Não nos víamos há um ano. Não me lembro bem, mas acho que nos perdemos em um dos vendavais. Não tive notícias, mas também não procurei saber. Estendia as roupas no varal quando ele reapareceu, pouco mudado, com um cheiro de lavanda e barba por fazer. Entre, eu disse. Ele entrou. Bati com a almofada no sofá para tirar o pó e fingir uma certa preocupação. Ele sentou. Ofereci água com açúcar e bolinhos de licor. Cruzei as pernas, acendi o cigarro e o ouvi contar as histórias esquecidas de condes distantes que ele fez questão de pesquisar. Não consegui prestar muita atenção. O céu escurecia rápido e me preocupava com meus poucos braços para o tanto de roupa a segurar. Liguei a TV. Vou tomar um banho, eu disse. Ele me seguiu. Pediu para ver. Não, eu não podia, era demais pra mim. Mas ele só queria ver. Encostado com a cabeça na porta ele aguardava enquanto eu me despia e reclamava da água quente do chuveiro. Em poucos instantes, os olhos dele estavam mais molhados que os meus. Como eu senti sua falta, ele disse, como dizem aqueles que realmente amaram alguém. Fiquei constrangida. Tinha engordado um bocado nesse tempo, levado alguns tombos, não condizia muito com a cena que ele queria inventar. Ele tentou se aproximar, mas fui rápida o suficiente para me enrolar na toalha e tirá-lo de lá. Com a porta trancada, me olhei no espelho. Quando foi que eu me perdi? Saí algum tempo depois, mas ele não estava mais lá. Deve ter ido com o outro vendaval. Vai chover, eu pensei. E corri para salvar as roupas no varal.

30/11/2009

Subversivos

Só consigo viver porque a cada dia minha questão crucial não é me adaptar a um tempo que não é o meu. Mas encontrar formas de me recusar a viver segundo valores que para mim não fazem sentido. É esta busca – e esta insubordinação – que me mantém em pé, ainda que cambaleando.

Eliane Brum, que assina o belo texto “O Depressivo na Contramão”. Leia aqui.

23/08/2009

Perversões

Quando começamos a falar de comunidades de leitores, de espectadores de novela, estamos falando de algo que é certo. Uma comunidade formada por gente que gosta do mesmo em um mesmo momento. Se a energia elétrica acaba, toda essa gente cai. É uma comunidade invisível, mas é real, tão real que é sondável, podemos pesquisá-la e ver como é heterogênea. Comunidade não é homogeneidade.

(...)

O sentido do que entendemos por sociedade mudou. Veja os vizinhos, que eram uma forma de sobrevivência da velha comunidade na sociedade moderna. Hoje, nos apartamentos, ninguém sabe nada do outro. Outra chave: o parentesco. A família extensa sumiu. Hoje, uma família é um casal. O que temos chamado de sociedade está mudando. Estamos numa situação em que o velho morreu e o novo não tem figura ainda, que é a ideia de crise de [Antonio] Gramsci.

(Trechos da entrevista que o filósofo Jesús Martín-Barbero concedeu ao caderno Mais! de hoje na Folha de S. Paulo)

Já vai para o terceiro mês minha avaliação crítica (e de campo) sobre a vida em sociedade. Relacionamentos que se desfazem tão rápido quanto se dão. Em um mundo de redes sociais, todo mundo é amigo de todo mundo e ninguém conhece ninguém. Essa relação se estabelece não apenas na convivência diária da web 2.0, mas também no convívio social. Tudo se tornou uma grande massa amórfica onde os valores e os princípios parecem flutuar, ou seja, não estão mais enraizados na personalidade das pessoas.

Explico. Somos herdeiros de uma relação de troca (ao meu ver estabelecida com a ascensão do capitalismo), que hoje foi acrescida de outro tipo de moeda: o status social. Esse status, antes prioritariamente ligado à situação econômica do indivíduo, hoje se estende para aquele que tem mais a oferecer no âmbito social, seja por suas influências ou pelo quanto é notado nos espaços em que permeia.

Na prática, quanto mais pessoas estão ligadas a um indivíduo, mais pessoas se mostrarão interessadas em conhecê-lo. Homem-ímã, o grande objeto de desejo dessa modernidade líquida (sobre modernidade líquida ver Zigmunt Bauman). Azar dos tímidos, dos desligados, do homem comum. Azar de quem se afasta da vida social para fazer esse tipo de reflexão.

Azar?

17/08/2009

Você me parecia tão bem

Ela sabia que a sobriedade lhe traria dias sem sol com zumbido na TV.

Há anos ela sobreviveu aos clichês e até que suportou bem as dores, disfarçando na sala de estar.

Ela parecia caber tão bem dentro dele, só que ela nunca esteve lá.

Sentada na varanda que separa a água das cores, gritou. Viu sua vida rasgando os sonhos que construiu nos botequins. Seria bom nunca estar consciente demais.

E ela viu que tudo o que tinha eram as sobras do tempo de seus dias menos felizes. Ele deixava pra ela as muitas coisas de pouco valor que já não queria mais. Ela desenhava uma beleza com sangue nessa história que nunca quis se firmar.

E despertou como as moças maquiadas das novelas. Uma serenidade fingida, sofrida, vigiada. Era tudo uma brincadeira para saber quem se machucava mais.

Ela ganhou.

06/08/2009

Grunge Feelings

De repente me deu uma saudade enorme da minha adolescência.

Seguem as cinco primeiras músicas do meu dia. Só hit das antigas. Você que é velho pode se jogar nos links como se não houvesse amanhã.


1. Soundgarden - Pretty Noose

http://www.youtube.com/watch?v=8fZ86Fh0XPk


2. Supergrass - Caught By The Fuzz

http://www.youtube.com/watch?v=6CT21jSJJOc


3. Stone Temple Pilots - Bing Bang Baby

http://www.youtube.com/watch?v=DBty4l4CPfI


4. Nirvana - Sliver

http://www.youtube.com/watch?v=VfIuPSRS2tk


5. Faith no More - Digging the Grave

http://www.youtube.com/watch?v=3yVI3UgtvwU


::lembrando que estou sempre a um passo de enlouquecer::

::aí eu danço::

::e o passo passa despercebido::

05/08/2009

Informação importante

Sobre as fotos do blog, devo dizer que nenhuma é minha porque eu sou a pior fotógrafa do universo. Vi uma exposição de fotos tiradas por cegos e, meu deus, até um cego tira foto melhor que eu. Bem, eu queria deixar claro porque eu nunca dei crédito a nada aqui. Admito minha culpa, mas qualquer coisa gritem com o Google Images porque agora estou muito ocupada em digerir meu almoço primaveril fora de época.

A ovelha encantada


Era noite na vidolândia medíocre da menina.
Enquanto ela brincava de dobradura mágica quase origami, ele tentava consertar uma TV velha com anteninhas de vinil.
Num instante tudo mudou.
O polaco croata adentrou o recinto gritando nozes de morango pra todo mundo ouvir.
"Que pé de jacarandá!", ela exclamou, timidamente.
O fato é que a vida deles nunca mais foi a mesma desde então. Ela passou a ganhar quinzenalmente o prêmio maior em Cannes pelas dobraduras mais dobradas do universo. Ele conheceu o fundador da Semp Toshiba e foi convidado a trabalhar na Nasa para o desenvolvimento de novas tv's velhas com anteninhas de vinil.
Agora sonham juntos em conhecer Saturno, 03 aneis abaixo do oceano. Filhos estão nos planos, mas primeiro querem morrer de amor.

Voltei

Atendendo a pedidos matrimoniais.

18/07/2009

Do avesso


Às vezes eu quero chorar, mas o dia nasce e eu esqueço

Meus olhos se escondem onde explodem paixões

E tudo o que eu posso te dar é solidão com vista pro mar (ou outra coisa pra lembrar)

Às vezes eu quero demais e eu nunca sei se eu mereço

Os quartos escuros pulsam e pedem por nós

E tudo o que eu posso te dar é solidão com vista pro mar (ou outra coisa pra lembrar)

Se você quiser eu posso tentar, mas...

Eu não sei dançar tão devagar pra te acompanhar


Marina Lima – Eu não sei dançar


08/06/2009

Palhas do Coqueiro


O Especial Dia dos Namorados da Alê me motivou a contar algumas historinhas sobre minha humilde trajetória no campo amoroso.

Bicho, fiz as contas. Tive 17 namorados na vida. Se eu considerar os rolinhos a lista vai embora, mas COMO NÃO VEM AO CASO, fiquemos com os números oficiais.

O fato é que tenho história pra cacete. A começar pelo meu primeiro beijo. Assim como a Alê, eu também estava na 8ª série e ainda não tinha beijado ninguém. Anos e anos de amor platônico pelo Marcel, um loiro lindo 3 anos mais velho que eu que até correspondia meus olhares de femme fatale, mas nada de chegar junto. Um dia cansei de idealizar o meu primeiro beijo com meu primeiro amor e parti para onde todo mundo vai quando quer se dar bem: balada.

Mas minha balada era uma matinê de domingo. Veja bem, eu tinha 14 anos. E foi lá que eu o avistei. Moreno, cabelo comprido, olhos verdes, camiseta branca com um coqueiro e um jeans meio desbotado. Brega. Mas lindo.

Fui me aproximando, dançando mais perto, para ele me notar. E ele notou. Foi se aproximando também. Dançava, olhava e virava para o outro lado. E eu lá, maior dançarina do Faustão com as minhas coreografias de acasalamento. Aí ele pára e vai falar com o amigo, cochichando. Os dois olham pra mim. Gelei. Ele caminha na minha direção. Era isso. Tinha chegado a hora. Eu ia dar o meu primeiro beijo. Me deu vontade de sair correndo, mas fiquei, né moleque? Rá!

- Iaí?
- Iaí.
- Firmeza?
- Firmeza.

Todo o romantismo do adolescente carapicuibano.

- Meu amigo quer te conhecer.

Meu mundo caiu. C-O-M-O-A-S-S-I-M-S-E-U-A-M-I-G-O?
Que vontade de meter-lhe uma voadora, mas me contive. Àquela altura, antes o amigo do que a fama de boca virgem. E o amigo não era de todo mal, devo admitir. Moreno também, cabelo comprido também, só que com 19 anos (eu tinha 14!) e bombado de academia. Não era o mundo ideal, mas tinha lá o seu valor.

Estava pensando no que um cara da idade dele queria numa matinê quando ele chegou e se apresentou. Rogério. Conversamos um pouco, ele me puxou pro canto, me encostou na parede e me deu um beijo. Achei esquisito. Fiquei frustradíssima. Quando acabou, ele olhou pra mim e perguntou: “você nunca tinha beijado antes?” EEEEEEEEEEU? Lóóóógico que já!!!!! Fiquei brava e larguei ele lá.

Ele veio atrás, se desculpou, disse que não tinha a intenção de me ofender e que queria ficar comigo aquela tarde. Ficamos. E isso aconteceu outras vezes, até eu marcar um encontro bem no dia do show dos Raimundos no Hollywood Rock de 96. Numa época em que quase ninguém tinha celular, eu não tinha como avisá-lo que eu iria, OBVIAMENTE, ficar em casa vendo o show pela MTV (gravei, devo ter até hoje, era muito fã). Acabou tudo, claro. Mas o show foi sensacional!

06/05/2009

Mano!

Chamada na capa do Terra.
Sem mais por hoje.


23/04/2009

Natureza


Estava hoje conversando com umas amigas sobre o fenômeno Suzan Boyle (vídeo aqui pra quem ainda não viu. É um dos mais vistos na história do Youtube, ganhando até da posse de Obama).

Não, eu não vou dizer que chorei horrores com a apresentação dela (até porque eu não chorei mesmo). Também não vou repetir tudo o que o João Pereira Coutinho e o Contardo Calligaris já disseram. Na verdade, achei que este fato tomou proporções exageradas. Virou um espetáculo.

Claro que Susan cantou bem e humilhou o público presente que duvidava de seu talento, isso é indiscutível, mas e se ela desafinasse? E se ela não soubesse a letra? E se ela se calasse com vergonha daquela imensidão de pessoas rindo dela? Ela certamente continuaria sendo a feia e esquisita que foi ridicularizada em rede nacional. Esse vídeo só fez sucesso porque ela quebrou os preconceitos. Se não quebrasse, ninguém nem saberia do episódio.

Uma salva de palmas para nós, seres humanos. E uma em especial para mim, jornalista.
* Em tempo, vejam esta tira do Wagner e Beethoven comentando o assunto. Dica da Angélica ;)

22/04/2009

Sopros e poemas

Estou admirada com o trabalho do grupo francês Les Souffleurs Commandos Poétiques. Trata-se de um coletivo (atores, músicos, escritores e artistas plásticos) que sussurra poemas nos ouvidos do público através de tubos de, no mínimo, 1,80 m de comprimento.

O grupo chega ao Brasil no início de maio para duas apresentações na Virada Cultural (02/05 às 21h e 03/05 das 14h às 18h) na Catedral da Sé. Imagine o quão lindo deve ser ouvir esses pequenos sopros dentro de uma igreja daquele tamanho. Achei de uma delicadeza sem igual.

Videozinho para os interessados em http://www.les-souffleurs.fr/ . Clique em Gallery e, depois, Films (para quem gosta de ver a reação das pessoas em intervenções como essa, recomendo o vídeo Rues d”Aurillac).


Escritor e jornalista

Do blog da Cecília Giannetti.

GUILHERME APOLINÁRIO era A Nova Literatura. Estava hospedado pelo verão no apartamento mais espaçoso do prédio mais caro da Vieira Souto, com aluguel pago pela revista "Artiste". Não falava mais com jornalistas porque nenhuma entrevista jamais fizera jus à sua personalidade.

Pelas muitas resenhas favoráveis publicadas sobre seus livros -e por patrocinar a vista perfeita que o autor agora observava quando queria descansar os olhos do computador-, a revista tentava garantir uma exclusiva com Apolinário.

A última entrevista coletiva do escritor resultara em best-seller. Para executar o projeto, mantivera cinco jornalistas presos numa suíte de hotel em Montmartre, em Paris, por 72 horas.

Obrigara-os a anotar cada palavra que diziam e pensavam durante o sequestro, com delineadores Lancôme sobre cadernetas Moleskine. Liberou-os sob a ordem expressa de que não falassem sobre o caso -ou seriam perseguidos e perderiam férias e 13º salário. Embora o escritor tenha apontado uma arma para o grupo, as autoridades nem sequer ficaram sabendo: o segredo editorial do século, a importante experiência realista-literária foi acobertada por todos os veículos -interessadíssimos em transformá-la em um sucesso comercial.

A ideia, que o escritor tivera em meio a um porre de gim em Buenos Aires, havia sido repassada por ele mesmo a alguns veículos, que não explicaram aos seus melhores repórteres exatamente qual era o plano. Enviados a Apolinário, chegaram entusiasmados com gravadores, ignorando qualquer risco, até o autor anunciar que eram reféns. O jovem escritor girou a pistola, gargalhou com bafo de uísque e os escribas passaram a rabiscar desesperadamente, misturando medo e decepção diante do sujeito que poderia muito bem ser o Maior Escritor Vivo.

Apolinário então reuniu os textos colhidos naquela suíte parisiense, sob a mira de seu revólver, à sua própria visão do episódio em um grosso volume. Jornais, revistas e sites aclamaram a originalidade de seu processo criativo.

Duas reimpressões em seis meses foram o começo da brilhante carreira desse livro, que até hoje não esquenta muito tempo em prateleira de livraria alguma. Os repórteres envolvidos ganharam bônus e cargos por sua discreta, apesar de apavorada, colaboração, além da distinção de terem conhecido pessoalmente Apolinário.

O jovem escritor, sentado em frente ao laptop, agora digita freneticamente, olhos encobertos pela fumaça do cigarro.

Uma das certezas sobre Apolinário, sempre usada para descrevê-lo, é de que pertence à estirpe de Rimbaud: uma energia faiscante que começara a pensar cedo demais e escrevia a todo vapor antes que a juventude o abandonasse.

A origem de tal fama era um press-release enviado antes mesmo do lançamento do livro de estreia do escritor, ou mesmo de sua escritura -um caso nada raro de material para a imprensa produzido graças ao uso de clarividente cara-de-pau.

Das coisas simples da vida

A felicidade que traz uma panela de pressão.
Muita, muita, muita saudade desse casal fofo!
Aqui.

15/04/2009

Paris Boutique

E ele me perguntou, o moço das chaves invisíveis, se eu era uma vírgula ou um suspiro. Empinei o nariz e respondi, fingindo autoconfiança, que estou mais para o milagre das bolhas de sabão que ainda não estouraram no céu.

03/04/2009

É o futurismo, menina


- Ele quer te comer!
E eu pensei: que bom! Imagina sair com um cara que não quer te comer, que fracasso.
As pessoas complicam as relações e depois jogam a culpa no outro. Não é do outro. É desse tipo de coisa. Fica todo mundo vivendo em 1920 com roupinha de show do Radiohead e depois se acha no direito de se fazer de vítima. Perde um tempão fazendo joguinho, querendo ter o controle da situação, quando, na verdade, está morrendo de medo de viver. Todo dia de manhã, ao andar cantarolando rumo ao trabalho dos meus sonhos, eu olho aquela fila de gente engessada e penso o quanto deve ser chato existir só para respirar.

28/03/2009

Vida doce

Pela ordem dos acontecimentos e grandeza das coisas eu deveria falar dos shows do Los Hermanos, Kraftwerk e Radiohead na semana passada. Mas não vou. Não sei falar das coisas que todo mundo vê. Talvez até saiba, mas não gosto. Prefiro falar o que só eu vejo. Ou o jeito que eu entendo as coisas que vejo. Gosto de pegar meu mundo bobo, botar um enfeite e pregar na parede.

Gosto de pensar que a vida é feita de imagens. Pedacinhos de coisas importantes. E nessa grande colcha de retalhos, a cena mais linda que presenciei recentemente foi o Marcelo Camelo cantando Santa Chuva no Sesc Pinheiros. Plateia em coro cantando baixinho e segurando um coração. Uma das músicas mais lindas que existe.

Eu adoro o SOU do Marcelo Camelo. Primeiro porque o SOU vira NÓS e disso todo mundo gosta. Mas é um álbum de solidão. De canções tristes, domingo no fim de tarde, chuva na praia em plena quarta-feira de inverno. Poucas pessoas cantam a tristeza com tamanha propriedade.

Eu posso até não entender de música, mas de tristeza eu entendo.

Santa Chuva
Marcelo Camelo

vai chover de novo
deu na tv que o povo já se cansou de tanto o céu desabar
e pede a um santo daqui, que reza a ajuda de deus
mas nada pode fazer se a chuva quer é trazer você pra mim

vem cá que tá me dando uma vontade de chorar
não faz assim
não vá pra lá
meu coração vai se entregar à tempestade

quem é você pra me chamar aqui se nada aconteceu?
me diz, foi só amor ou medo de ficar sozinho outra vez?

cadê aquela outra mulher?
você me parecia tão bem
a chuva já passou por aqui
eu mesma que cuidei de secar

quem foi que te ensinou a rezar?
que santo vai brigar por você?
que povo aprova o que você fez?
devolve aquela minha tv que eu vou de vez,

não há porque chorar por um amor que já morreu
deixa pra lá, eu vou, adeus
meu coração já se cansou de falsidade


Sim, a Mallu cantou Janta com ele. “Vem aqui Malluzinha, meu amor”.
NHOM.

25/03/2009

É a crise

De: Daia
Enviada em: quarta-feira, 25 de março de 2009 14:08
Para: turminha
Assunto: quem é que estava atrás de namorado mesmo?

http://www.desencalhawanderson.com.br/

* * *

De: Amiga 1
Para: turminha
Enviadas: Quarta-feira, 25 de Março de 2009 14:10:40
Assunto: RES: quem é que estava atrás de namorado mesmo?

“Que nunca tenha sido casada com alguém que esteja vivo.”

Hahahaha.
Gente, será que é sério um troço desses?

* * *

De: Daia
Para: turminha
Enviadas: Quarta-feira, 25 de Março de 2009 14:25:01
Assunto: Res: RES: quem é que estava atrás de namorado mesmo?

pior que é
http://www.interney.net/blogs/virunduns/2009/03/25/desencalha_wanderson/

* * *

De: Amiga 2
Enviada em: quarta-feira, 25 de março de 2009 14:30:06
Para: turminha
Assunto: Re: quem é que estava atrás de namorado mesmo?

eu repassei pra mulherada aqui no silviço e, tipo, NINGUÉM aqui estaria apta pra casar com o hómi.

* * *

De: Amiga 1
Para: turminha
Enviadas: Quarta-feira, 25 de Março de 2009 14:36:50
Assunto: RES: quem é que estava atrás de namorado mesmo?

Eu já morei de maneira amasiada com alguém que está vivo.
Acho que também não tenho chances com Uandy. :(

* * *

De: Daia
Enviada em: quarta-feira, 25 de março de 2009 14:51:17
Para: turminha
Assunto: Res: RES: quem é que estava atrás de namorado mesmo?

eu não posso, já fui atriz pornô.

* * *

De: Amiga 3
Para: turminha
Enviadas: Quarta-feira, 25 de Março de 2009 14:59:13
Assunto: Re: RES: quem é que estava atrás de namorado mesmo?

eu ainda sou atriz pornô.

* * *

De: Daia
Para: turminha
Enviadas: Quarta-feira, 25 de Março de 2009 15:02:28
Assunto: Res: RES: quem é que estava atrás de namorado mesmo?

e moramos de maneira amasiada com uma galera, já

* * *

De: Amiga 2
Enviada em: quarta-feira, 25 de março de 2009 15:04
Para: turminhaAssunto: Re: RES: quem é que estava atrás de namorado mesmo?

eu também já morei de maneira amasiada!!!!

* * *

De: Amiga 1
Para: turminha
Enviadas: Quarta-feira, 25 de Março de 2009 15:06:11
Assunto: RES: RES: quem é que estava atrás de namorado mesmo?

Ai, gente, nem pra Wanderson eu sirvo.
Que lama!

* * *

Pequenas histórias


Para ler ouvindo Family Tree, do Belle and Sebastian.

::Quando fui ao show do Sonny Rollins com umas amigas, no Ibirapuera, conheci dois japoneses de verdade. Eu nunca tinha conhecido um japonês de verdade, só filhos de japoneses de verdade, então fiquei bastante curiosa. O que me chamou atenção foi que eles eram lindos e usavam essas roupas de rockstar britânico, combinando terno com tênis. Um deles carregava um instrumento e sentou em cima da caixa para ver o show. O outro veio em nossa direção e nos perguntou, em um português quase japonês, onde havíamos comprado cerveja. Explicamos e ele ficou com cara de paisagem. Sentou na caixa com o outro moço bonito e lá ficou uma meia hora. Olharam pra trás quase que ao mesmo tempo. Talvez tenham combinado. Acenaram e foram embora::

::Eu fiz apenas uma declaração de amor em toda a minha vida. Dessas de filme, digo. A princípio eu não ia fazer porque tinha vergonha, mas depois eu pensei bem e me dei conta de que tudo o que eu mais queria na vida era que ele soubesse que eu sempre estaria por perto. Eu era uma ótima observadora. Não fazia barulho, não chamava atenção, não pedia nada em troca. E ele poderia estar no pior dia da sua vida, onde tudo deu errado, que ainda assim eu estaria lá. Gravei um CD com 11 músicas que contavam, de forma linear, a nossa história. Desde quando me apaixonei até quando me lasquei. Fiz um encarte à mão, colocando as letras de todas as músicas em um papel que virava uma dobradura. Fechado parecia um livrinho. O título era algo como “Das canções que eu quis fazer pra você, mas fizeram antes de mim”. Mais ou menos isso. Foi lindo. Todo mundo devia declarar seu amor. Parece que nasce um monte de estrelinhas dentro da gente::

::Quando eu era pequena gostava de visitar meu avô e acompanhá-lo ao Bar do Mané. Os seus amigos de bar me chamavam de neta do Antonio e me davam balas coloridas. Um dia ele não quis me levar e eu questionei, indignada. Ele disse que não podia porque ia namorar. Chorei o dia inteiro. Minha avó me consolava falando que era mentira, que ela era a namorada dele pra sempre, mas eu não me conformava. Acho que foi a primeira vez que senti ciúme de alguém na minha vida::

::Aliás, quando criança eu andava com uma saia na cabeça porque queria ter o cabelo comprido e minha mãe não deixava::

::Eu tenho uma amiga que namorou o mesmo cara que eu, coisa de seis meses depois do meu rompimento. Ele era escritor e a gente foi meio que abduzida pelo papo dele, todo sedutor. Mas eles também não deram certo e tudo voltou a ser como era antes. Um belo dia fomos, eu e ela, a uma livraria. Vimos um livro interessantíssimo sobre “como conquistar os homens e fazê-los reféns de vocês, mulheres maravilhosas”. Estávamos super entretidas na leitura desse livro tão espetacular quando demos de cara com nosso ex, mega intelectual e posudo, plantado na nossa frente::

24/03/2009

Everybody's Gotta Learn Sometimes


Chegou aquela semana chata que antecede a semana de despencar. É como se o mundo se tornasse um grande zumbido e meus olhos fossem a janela da sala num dia de chuva. Eu sinto o cheiro das flores, mas depois penso que elas nem devem crescer mais.

Eu só queria saber quanto tempo falta para enlouquecer.

Mas ninguém diz.

20/03/2009

Os astronautas estão subindo


A Rua Augusta está mudando, é fato. É muita democratização, minha gente. Vi hoje uma matéria engraçada sobre o perfil dos frequentadores (eu, no caso) e dos novatos. Se liga:

::Quem circula pela região::

Clássicos

- Punks, emos, rockers e modernos
- Hippies e manos
- Gays e lésbicas
- Travestis e prostitutas

Novatos

- Playboys
- "Povo da firma" (frequentadores da happy hour)
- Garotas superproduzidas (maquiadas, de vestido e salto alto)

Medo de saber quem sou eu ali no primeiro grupo. Muito medo.

19/03/2009

Vamos todos

prestigiar a Cleo.


Não sobre o amor


A crítica eu deixo para o Tiago, vou fazer apenas alguns comentários sobre a peça que vimos juntos. O tempo todo eu tentava administrar aquele cenário complexo com cama e mesa coladas na parede, mas vinha uma avalanche de informações densas sobre o amor, a dor, o descaso e a solidão que me faziam perder o rumo.

Uma passagem que me marcou foi quando a garota disse pra ele amar a ela e não amar o amor que sente por ela. Me lembrou muito minha fase Gikovate sobre “como amar melhor o outro e a si mesmo”. Gikovate é minha autoajuda disfarçada de psicanálise.

E como é inconcebível o fato do outro não retribuir o seu amor, não? Você culpa, agride e humilha aquele que não se dá conta do quanto você é importante. “Sabe com que você está falando? Eu sou a pessoa mais importante desse universo inteiro!”

Não sobre o amor traz diálogos que doem fundo, causam reflexão e mostram o quanto somos escravos de um sentimento que seduz e mata. Com Leonardo Medeiros e Simone Spoladore. Direção: Felipe Hirsch. Teatro do SESI – São Paulo.

12/03/2009

Contextos

Certa vez, há muito tempo – eu deveria ter doze ou treze anos-, tentei explicitá-lo, explicitar o vazio, o medo abismal em que eu às vezes desmorono. É como se eu fosse despencar do mundo. A verdade é que me faltam as palavras, o mar reflui e me arrasta com ele, não consigo opor resistência – o que eu tampouco quero -; só desejo desaparecer para todo o sempre.

Mergulhando nas trevas ameaçadoras, vou ao encontro do medo a fim de me entregar a ele e, conforme o tempo escoa, sinto-me entontecida, odeio esse corpo entontecido, quero desfazer-me dele, quero perdê-lo, quero que cesse todo e qualquer pensar. Trata-se de uma mescla de desvario, volúpia e melancolia.

Quando tudo passa, deixa atrás de si uma terrível acuidade, uma clareza branca e elétrica em que eu sei não querer estar, consciente de que tudo se apresenta revestido de uma camada de ódio; as plantas, as coisas, o caminho pelo qual eu ia todos os dias à escola, até que essa tormenta arrefece, dando lugar a uma calma voluptuosa que me reconcilia com tudo, ainda que eu tenha a consciência de que toda e qualquer coisa apresenta a espessura de uma membrana, transparente.

A ilusão de que jamais voltarei a me acostumar com o mundo por estar nele e ao mesmo tempo não estar, e ter que ajustar esses elementos antípodas irreconciliáveis.

Cees Nooteboom em Paraíso Perdido, pág.32


02/03/2009

Ruim de conjugação

Não que ela gostasse, mas ele até que tinha um charme. Ficava por ali nas redondezas mostrando que existe e exibindo um sorriso largo para ela notar qualquer coisa de valor. Não que ela se importasse, mas ela perdia sim alguns minutos tentando entender o que aquele cara mais ou menos despertava nela.

[E se ele estivesse de costas ela ainda assim o identificaria]

Não que isso insinue algo, mas ela reparou que ele bebia sempre as mesmas doses em goles cheios, limpando a boca com o canto da camisa de algodão que ele ganhou no verão de dez anos atrás. Não que ela repare, mas os olhos deles têm se olhado mais que antes e alguma coisa deu pra brilhar esquisito e acelerado no meio desse pouco caso todo.

26/02/2009

autoexplicativo

16/02/2009

segunda-feira

preparando surpresinhas e sorrisos.
só terá uma boa semana quem clicar aqui.

11/02/2009

Um monte de coisas escondidas debaixo do tapete

Quando você me ouvir cantar
Venha não creia
Eu não corro perigo
Digo, não digo, não ligo
Deixo no ar
Eu sigo apenas porque eu gosto de cantar

Tudo vai mal, tudo
Tudo é igual
Quando eu canto e sou mudo
Mas eu não minto
Não minto
Estou longe e perto
Sinto alegrias, tristezas e brinco

Meu amor
Tudo em volta está deserto
Tudo certo
Tudo certo como dois e dois são cinco

Quando você me ouvir chorar
Tente, não cante, não conte, não cante comigo
Falo, não calo, não falo
Deixo sangrar
Algumas lágrimas bastam pra consolar

Tudo vai mal
Tudo
Tudo mudou
Não me iludo e contudo
É a mesma porta sem trinco
O mesmo teto
E a mesma lua a furar nosso zinco

Meu amor
Tudo em volta está deserto
Tudo certo
Tudo certo como dois e dois são cinco


Roberto e Caetano.

05/02/2009

Mulheres

Você precisa entender que mulher não é livro, enigma, mistério, problema matemático, sonho psicanalítico, arquétipo junguiano ou mapa astral. Mulher não se interpreta. Mulher não se resolve. Mulher não se lê. Freud, Sherlock Holmes, Fermat e Harold Bloom não explicam. Se quiser saber, a última coisa que você deve fazer é tentar entender, adivinhar, solucionar ou perguntar. Talvez ela mesmo não saiba. Talvez ela fale algo que não é bem certo. Elas não mentem, só alternam verdades (é por isso que com mulher se dança).

Gustavo Gitti aqui.