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19 de mar. de 2009

Não sobre o amor


A crítica eu deixo para o Tiago, vou fazer apenas alguns comentários sobre a peça que vimos juntos. O tempo todo eu tentava administrar aquele cenário complexo com cama e mesa coladas na parede, mas vinha uma avalanche de informações densas sobre o amor, a dor, o descaso e a solidão que me faziam perder o rumo.

Uma passagem que me marcou foi quando a garota disse pra ele amar a ela e não amar o amor que sente por ela. Me lembrou muito minha fase Gikovate sobre “como amar melhor o outro e a si mesmo”. Gikovate é minha autoajuda disfarçada de psicanálise.

E como é inconcebível o fato do outro não retribuir o seu amor, não? Você culpa, agride e humilha aquele que não se dá conta do quanto você é importante. “Sabe com que você está falando? Eu sou a pessoa mais importante desse universo inteiro!”

Não sobre o amor traz diálogos que doem fundo, causam reflexão e mostram o quanto somos escravos de um sentimento que seduz e mata. Com Leonardo Medeiros e Simone Spoladore. Direção: Felipe Hirsch. Teatro do SESI – São Paulo.

22 de set. de 2008

pormenores


Há alguns meses eu tentava justificar a uma pessoa a razão de meu encantamento pelo teatro, mas não conseguia. Sabia apenas que era mais cru que o cinema, mas ainda assim era lindo e poético e essas coisas todas que não sabemos muito bem denominar.

[Precisa?]

De qualquer forma, hoje encontrei ótimas razões para se gostar de teatro no blog da Cléo. Seguem:


sem rede de proteção

sempre nas entrevistas tem essa pergunta: qual a diferença entre teatro, cinema e televisão? a resposta pode ter mil explicações, são veículos diferentes, o teatro é onde o ator tem mais domínio, a troca com o público é incrível... eu concordo com tudo isso e discorreria um tempão falando dessas diferenças, dos abismos que separam as linguagens. mas nunca me fizeram essa pergunta. porque, primeiro, não sou famosa, segundo, não faço tanto cinema e fiz pouca televisão. se me perguntassem, eu sei o que diria, eu diria assim: o teatro não tem rede de proteção. é preciso amar o risco pra escolher ser um ator de teatro, um diretor de teatro, um figurinista, um cenógrafo, um contra-regra, um bilheteiro. é preciso abandonar coisas, estar naquele lugar naquela hora que o jornal indica e não importa se 1.000 pessoas vão sair de suas casas pra ficar numa sala escura fechada esperando maravilhas de você ou se serão 5 pessoas. não importa. importa que você vai sair de sua casa nesse dia, durante meses, nessa hora, com vontade ou sem, gripado, triste, preocupado, aflito, desiludido, você vai sair no meio de uma tempestade ou na noite mais linda da primavera, vai desligar a tv, apagar as luzes, pegar um ônibus, vai dizer oi pra seus companheiros, vai sentar na bancada, transformar seu rosto, vestir uma roupa que nunca estará no seu guarda-roupa, mas que fará parte da sua vida pra sempre, e vai fazer de um tudo pra maravilhar 1.000 pessoas ou 5 pessoas. e você só tem aquela chance, nunca mais. o outro dia vai ser outro, serão outras as pessoas, será outra sua energia, pode quebrar o zíper do vestido, pode faltar luz, pode inundar a cidade, pode dar tudo mais certo, pode dar tudo mais errado, nunca se saberá, o momento é só agora, o teatro é só agora. meus amigos próximos não gostam muito de ir em estréias minhas. eu sei como é, fica aquela vontade de que tudo dê certo, de que as pessoas gostem, de que o amigo mesmo goste e saiba o que falar. mas tenho um amigo que não vai nunca a meus espetáculos! "por quê?" eu quis saber. "porque eu sinto medo por você", ele disse, "parece que vou te ver com a cabeça na boca do leão, vou ficar tenso demais." entendi, claro, e não cobro sua presença apesar de ser ele um amigo muito especial. ele vê meus filmes, que já estão prontos há tempo, vê coisas que saem na mídia a meu respeito, provavelmente leia esse texto mas na hora da peça, ele sabe que se eu escorregar do trapézio, não terei rede. ele sabe que alguém pode atender o celular, que um bêbado pode invadir o palco, que o salto do meu sapato pode quebrar (como já quebrou!) que a cortina do cenário pode cair (como já caiu!)...ele sabe e eu sei que é um completo absurdo o que eu faço, que é estranho uma pessoa não ter fim de semana, Páscoa,Carnaval, trabalhar doente, ter medo de chorar na hora que não pode, ter medo de não chorar na hora que precisa, ter medo de branco, de soluço, de gaguejar. mas ele também sabe e eu também sei que não seria feliz semtantos sonhos e que eles, os sonhos não precisam de rede de proteção.

8 de set. de 2008

Cada um no seu quadrado

Semana passada foi aniversário do meu pai e eu resolvi fazer um agrado. Comprei o DVD de Help! (o filme) dos Beatles pra ele. Sabia que ele iria curtir, afinal é item de colecionador, DVD duplo com vários extras.

Só consegui ver este final de semana, mas não gostei. Bobo demais, não me conformo como eles toparam fazer um filme ruim desses. Pra tentar achar um significado, enfiei mil teorias da conspiração no roteiro. Na minha cabeça, o tal anel vermelho do Ringo significava o comunismo. A perseguição do filme era, na verdade, política. Fora que várias cenas são completamente sem sentido, como uma em que o Ringo simplesmente come o prato da bateria. Alusão às drogas, é claro.

Mas fiz uma busca na internet e parece que só eu pirei nessas coisas, portanto, o filme é uma bosta mesmo. Nessa busca, li em algum lugar que o John tinha vergonha do filme. Não é pra menos. De qualquer forma, vale pelo Paul em seus áureos tempos. Gato, hein? Não tinha essa cara de Quico que ele tem hoje.

7 de jul. de 2008

all apologies

Eu devia ter ouvido o Felippe. Últimos Dias, do Gus Van Sant, é o pior filme dos últimos tempos. Como se não bastasse, chega a ser uma ofensa para os fãs ver a Kim Gordon fazendo papel dela mesma.

O filme mostra um Kurt que, com sorte, pode ser classificado como retardado. Muito longe de retratar a solidão atormentada do músico, Van Sant o transforma num cara completamente lesado e idiota. Patético.

E mesmo Paranoid Park, bastante elogiado pela crítica, não fez muito a minha cabeça. A mesma historinha do jovem problemático e sua relação com a morte. Sem sal, sabe? Passa amanhã ou vai indo que eu já vou.

25 de mai. de 2008

Elas estão descontroladas

Devo dizer que entendi o funk.
Excelente documentário: Sou feia, mas tô na moda.

11 de abr. de 2008

Bailinho

Achei poético o Chega de Saudade da Laís Bodanzky.
As rugas ali tão expostas não pareciam apenas conseqüência da idade, mas de dores.
A dor de ter quebrado o pé na velhice, muito mais difícil de se recuperar; da memória que falha e da vergonha que se sente disso; do namorado que dá em cima da garota mais nova na sua frente, tão difícil de competir; da longa espera de ser retirada pra dançar, sem sucesso...
Mil e um personagens envolvidos em dores.
Rugas de expressão. Muitas delas causadas por dores da vida.
No mais, tem o lado bonito de ver que a gente continua sendo humano na terceira idade. Pegação, fofoquinha, paixonite.
Lindo.

8 de abr. de 2008

Astronauta

No fim não vi o Joy Division no "É Tudo Verdade". Dane-se também, minha amiga vai me emprestar o dvd. Pensei ter tido a sorte de conseguir ver os Stones na estréia, mas por Deus, onde o Scorcese estava com a cabeça?

É bom, é Stones, é aquela coisa de sempre. Não tem como ser ruim. Porém, esperava muito mais de um filme feito para comemorar os 45 anos da banda. Achei que teria inserções de entrevistas, gravações raras, foto de festa junina na infância, sei lá! Mas não passou de um show no cinema.

Mas OK. Stones vale até a decepção.

No mais, as noites são bonitas no Planeta Terra, reparem.

["mordendo o lado mais geladinho do travesseiro"]

Té.

2 de abr. de 2008

Descaso

Rapidinho porque estou com sono.

Acabo de assistir Quem matou Sérgio Vieira de Mello?. Confesso que ia passar batido, mas a Regina detalhou a história durante a semana e despertou meu interesse pelo documentário.

Sérgio era um funcionário da ONU especializado em controlar os ânimos dos locais em regiões de conflito. Teve muito sucesso na missão que lhe foi dada no Timor Leste. Por conta disso, foi convocado a trabalhar no Iraque após a queda de Sadam e conseqüente domínio dos Estados Unidos. Morreu em um atentado terrorista em Bagdá no ano de 2003, no próprio prédio da ONU.

O filme mostra a omissão dos Estados Unidos perante a tragédia, deixando claro o descaso com Sérgio e sua equipe. Esse grupo estava, de fato, atrapalhando os interesses dos americanos, já que tentava estabelecer a paz no Iraque e era terminantemente contra os abusos dos soldados.

Quem matou Sérgio Vieira de Mello? Terroristas? Os interesses norte-americanos na região? Sua bondade e humanismo?

Para refletir.

Nota rápida: esses ataques terroristas são feitos em sua grande maioria por jovens suicidas. O documentário mostra o interesse de jovens europeus, em especial os italianos, para essas missões. Nego se inscreve e fica esperando. Bizarro.

Pesadelo

O melhor filme do É Tudo Verdade que vi até agora foi Tirando o capuz: viagem ao mundo da tortura. O documentário trata do abuso de poder dos Estados Unidos após o atentado de 11 de setembro, promovendo uma guerra contra o terrorismo absurdamente cruel e desumana. Os americanos supõem que fulano é terrorista e o submetem a situações de tortura, pesadelo e caos. Vários prisioneiros de guerra são entrevistados, contando em detalhes tudo o que passaram.

Com a desculpa de descobrir elementos da Al-Qaeda, os americanos detêm qualquer indíviduo com estereótipo muçulmano e manda para prisões secretas, onde é submetido a interrogatórios da CIA e está sujeito a espancamento, humilhações sexuais, choques eléctricos, queimaduras, etc.

O caso mais conhecido foi a prisão secreta de Abu Ghraib, no Iraque. Fotos da tortura vazaram na internet e mostraram toda a barbárie e maus tratos contra os detidos. Para tentar reverter sua imagem, os Estados Unidos transferiram os suspeitos para uma prisão em Guantánamo, onde seriam supostamente acolhidos pela Cruz Vermelha e teriam o respaldo dos direitos humanos.

Não sabemos quando isso terá fim, mas é importante que o mundo todo tenha acesso a essas informações. Enquanto existir prisões secretas, existirá abusos com pessoas inocentes.

Algumas fotos:

http://www.telegraph.co.uk/news/graphics/2006/02/16/wtort16.jpg
http://xahlee.org/Periodic_dosage_dir/t1/20040318_americanism.html
http://watch.windsofchange.net/pics/I5628-2004May05.JPG

E a clássica:

http://www.newsday.com/media/photo/2004-05/12508938.jpg

31 de mar. de 2008

Vida e Morte

Assisti hoje O aborto dos outros, no Cinesesc. Documentário da Carla Gallo dentro do Festival É Tudo Verdade.

O filme mostra algumas mulheres que decidiram interromper a gestação por N motivos. Uma tinha 13 anos e havia sido estuprada. Outra tinha um feto com má formação, não iria viver muito tempo depois de nascer. Outra não tinha condições financeiras para criar o filho. Enfim, mil e uma situações.

Depois de tudo que vi, penso que deveria existir melhores condições para essas mulheres. Legalizar o aborto faria com que muitas conseguissem sobreviver, já que os dados são alarmantes: 75 mil mulheres morrem por ano no Brasil em função do aborto clandestino.

Como disse a Carla Gallo ao apresentar o documentário, o aborto é uma questão bélica. Uns são a favor e outros são contra. Polêmico. Mas é tão pessoal.

29 de mar. de 2008

É Tudo Verdade

Ele: dê?
Eu: rafa?
Ele: daia?
Eu: é!
Ele: liguei errado!
Eu: hahahaha
Ele: tudo bem?
Eu: tudo, tô no cinema.
Ele: qual?
Eu: na reserva.
Ele: nossa, tô em frente. posso ir aí?
Eu: pode!

E foi assim que eu assisti Darfur Urgente com o Rafa hoje à noite. Parece piada. O acontecimento, claro, porque o filme não tem nada de engraçado.

Já falei sobre Darfur aqui na época da Mostra, quando assisti Transformaram nosso deserto em fogo. Enquanto o Transformaram tem uma característica mais de denúncia, o Darfur aponta soluções, mostrando as ações de seis pessoas que, cada qual a seu modo, têm trabalhado para acabar com o genocídio nessa região.

O protagonismo é a mensagem-chave desse filme. Em um determinado momento foi falado que se você fizer alguma coisa, por menor que seja, já é melhor que não fazer nada. E é bem isso mesmo. O que acontece em Darfur deixou de ser um problema local. É de todo mundo.

Preocupante, mas “natural”, é o sentimento de revolta desse povo. Eles têm a vingança como maior objetivo de vida. Fala-se muito nisso, a todo momento. O grupo oficial de rebeldes tem até musiquinha, uma coisa de encontrar o inimigo e matá-lo.

Mas o mais importante é que os líderes dessa guerra foram descobertos. São duas pessoas do próprio governo do Sudão. Eles foram intimados e, se Deus quiser, serão punidos.

Darfur Urgente é um dos documentários que integra o Festival É Tudo Verdade, que acontece em SP e RJ de 27/03 a 06/04, em Bauru de 10 a 13/04, Brasília de 14 a 20/4, Recife de 17 a 20/04 e Caxias do Sul de 24 a 27/4.

Tive oportunidade de participar da abertura oficial, que teve Stranded como filme de estréia. O próprio diretor, Gonzalo Arijon, nos apresentou o filme, dizendo que se tratava de um relato de seus amigos, sobreviventes do avião que caiu na Cordilheira dos Andes na década de 70.

Todo mundo sabe que, para sobreviver, eles foram obrigados a se alimentar dos corpos das pessoas que estavam mortas. Foram 72 dias vivendo numa montanha de neve, sem o mínimo de recurso, sujeito a avalanches, frio, fome, sede e todo tipo de necessidade que se possa imaginar.

Particularmente achei interessantíssimo o aspecto religioso desse documentário. A única coisa que restou aos sobreviventes foi a fé e foi somente ela que os ajudou a resistir por tanto tempo nessa situação. Trinta e cinco anos depois, um deles afirmou: “naquele tempo eu ainda acreditava em Deus”. A filha dele perguntou: “você não acredita mais?” E ele respondeu que agora não precisava mais de Deus, afinal ele tinha casa, família, comida, etc.

A forma como eles lidaram com a questão da alimentação foi de muita sabedoria. Eles transcenderam a matéria e tinham a clara convicção de que não estavam se alimentando do amigo e sim do seu corpo. O amigo tinha virado um espírito de luz, descansando em algum lugar. Eles reforçavam muito essa expressão de descanso no rosto de quem tinha falecido. Pra resumir, os sobreviventes e os mortos eram uma sociedade, onde até os mortos fizeram seu papel, que era ajudá-los a sobreviver.

No aspecto social, é muito curioso observar a forma como eles estabeleceram um convívio harmônico baseado em leis que eles criaram instintivamente. Existia um líder, divisão de tarefas, divisão igualitária da comida, o tratamento preferencial aos doentes, entre outras coisas. Tudo funcionou em perfeita harmonia. Sem ordem eles morreriam.

Bem, já montei minha programação e amanhã pretendo ver Minimata: a vitória das vítimas. Trata-se da história de pessoas que sofreram doenças e deformidades genéticas decorrentes de abusos de uma companhia química no Japão.

Depois eu conto. Até.

20 de fev. de 2008

ArreBITA, ArreBITA, ArreBITA

Queridos leitores assíduos e pára-quedistas (ai, Cardoso, roubei):

Amanhã a Bita vai mediar um debate de cinema e literatura na FNAC do Morumbi. Segue e-mail de convocação:

"Amigas, aproveitando, quero convidá-las ao primeiro debate que vou mediar! Muito luxo, glamour e glória! Vai ser amanhã (quinta), a partir das 19h na FNAC Morumbi. O tema é cinema e literatura. Os debatedores serão Mauro Lima (gato e diretor de MEU NOME NÃO É JOHNNY), Lourenço Mutarelli e Guilherme Fiuza (autor de MEU NOME NÃO É JOHNNY, o filme).

Bjos"

Quem puder, vá! E ao virem a Bita, gritem: BITA, SEGURA A MINHA PANÇA!

15 de fev. de 2008

Na cara, na cara

Preciso dizer que o Bruno Medina leu meus pensamentos. Se bem que deve ter mais gente comentando a mesma coisa por aí.

O fato é que eu, o Bruno e uma galera pós 25 anos certamente nunca ouviu falar em Mari Moon. A não ser que seja um desses fissurados por fotolog, mas nessa faixa etária é mais difícil. Acho. Vai saber, né?

E aí que eu quis ver a Kika na MTV porque ela é amiga de uns amigos, então quis acompanhar a estréia dela na emissora. Acabou o programa dela e começou o tal Scrap MTV, com a tal da Mari Moon.

Muito esquisito. Uma Capricho na televisão. Se bem que a MTV por si só já é a Capricho na televisão, vamos combinar. Mas enfim, é isso. Uma menina toda estilosa falando bobagens para um público de 15 anos. Bem fraco o programa. Ruim mesmo.

Fui procurá-la no Orkut e tive noção do quanto eu estou realmente por fora do hype internético. A garota tem tantos "amigos" que já está em seu NONO perfil no Orkut, sem contar os outros DEZ MIL profiles falsos. Muito bizarro. O que ela tem que os outros não têm? Tipo. E como se não bastasse, ela se vende muito bem.

Impossível não comparar, desculpe. Eu na adolescência assitia Lado B com o Massari. Gás Total com o Gastão. Teleguiado com o Cazé. Aliás, eu não perdia um Teleguiado. Adorava. Um pouco mais adiante passei a ver o Amp porque passava bandinhas de trip hop. Quase todo mundo da minha geração assistia isso. Ok, teve uma galera que migrou pra micareta e Banda Eva, ainda com a Ivete, lembro bem. Mas isso não merece explicações. E nem é esse povo que lê meu blog.

Mas voltando à MTV, da safra mais recente eu gostava de Piores Clipes do Mundo. Nossa, como eu ria vendo esse programa. Também tinha o Mochilão MTV com a Fernanda Lima que era super bacana. Lugares lindos, sempre.

No mais, se eu tivesse que escolher um programa pra voltar ao ar ficaria com o Teleguiado. E tem que ser com o Cazé. Não me coloque aquele cara do MTV Overdrive, pelo amor de Deus.

E hoje eu só assisto o Lab. Quando assisto, porque é de madrugada. Nesse horário ou estou dormindo, ou estou na balada. Mas é a única coisa que presta realmente.

Tá bom, às vezes eu vejo A Fila Anda. Mas só às vezes. Quedinha por programas de namoro, sabe? Ui, adoro. Até aquele do Márcio Garcia eu assisto. Sério. Pensando bem, estou a um passo da Mari Moon.

21 de jan. de 2008

As transparências enganam

O Mário Bortolotto adaptou o texto "O Natimorto" do Lourenço Mutarelli e fez uma peça que estreou agora em janeiro no Parlapatões. Quis ver por duas razões:

1.Gosto das peças do Mário.
2.Gostei do Cheiro do Ralo e fiquei interessada em conhecer os outros trabalhos do Lourenço.

Olha, sensacional. A peça só tem uma hora, mas te prende tanto que parece ter 15 minutos. Um humor ácido, inteligente, cheio de detalhes.

Tudo começa com um cara (fumante obsessivo e dito assexuado) que usa as imagens nos versos dos maços de cigarros como um guru que prevê a sorte do dia. Ele associa as imagens com uma carta de tarô e, pronto, está fadado a seguir aquela predestinação.

Ele fica alucinado pela voz de uma cantora que, acredite, não canta. Daí surgiu o musical silencioso que é O Natimorto.

E haja cigarros na peça. Fumantes enlouquecendo na platéia, porque aquilo chega a ser uma provocação.

Um dos grandes momentos é quando se inicia uma divagação a respeito dos bigodes de grandes personalidades, como Nietzche, por exemplo. A hipótese é que sejam banguelas querendo ocultar a falta de dentes.

Também tem uma muito boa, quando o cara é tachado de bipolar pela “amiga” e ele se defende dizendo que bipolar é coisa de urso!

Vale a pena.

Não subestime a tristeza dos outros


Em Paris é um filme de amor. Do seu excesso e sua falta. Da felicidade dos pequenos momentos e da tristeza que te deixa no fundo do poço. Da importância que tem ser você mesmo, sem interrupções.

Linda a cena do ex-casal cantando pelo telefone depois de um tempo sem se falar. Eu já tinha visto antes, mas ela me emocionou ainda mais hoje, em seu contexto. O amor desesperado batendo na porta, querendo entrar e querendo fugir. A ambigüidade que é sentir essa coisa.

A cena e a letra da música. Como faz muito tempo que não uso meu francês, coloquei em seguida minha humilde tradução.

Avant la haine (Romain Duris & Joanna Preiss)

Sais-tu ma belle que les amours
Les plus brillantes ternissent
Le sale soleil du jour le jour
Les soumet au suplice

J'ai une idée inattaquable
Pour éviter l'insupportable

Avant la haine, avant les coups
De sifflet ou de fouet
Avant la peine et le dégout
Brisons-là s'il te plait

Non, je t'embrasse et ça passe
Tu vois bien
On s'débarrasse pas de moi comme ça

Tu croyais pouvoir t'en sortir,
En me quittant sur l'air
Du grand amour qui doit mourir
Mais vois-tu je préfère
Les tempêtes de l'inéluctable
A ta petite idée minable

Avant la haine, avant les coups
De sifflet ou de fouet
Avant la peine et le dégout
Brisons-là dis-tu

Mais tu m'embrasses et ça passe
Je vois bien
On s'débarrasse pas de toi comme ça

Je pourrais t'éviter le pire

Mais le meilleur est à venir.


Saiba, minha linda, que os amores
Os mais brilhantes se sujam
O sol sujo do dia a dia
Submetem-lhes ao suplício

Tive uma idéia inadequada
Para evitar o insuportável

Antes do ódio, antes dos golpes
Dos assobios e dos chicotes
Antes da pena e do desgosto
Vamos terminar, por favor

Não, eu te beijo e isso passa
Você bem sabe
Não se livre de mim assim

Você acredita que vai se sair bem dessa
Me abandonando ao léu
Do grande amor que deve morrer
Mas você sabe que eu prefiro
As tempestades do inevitável
À sua pequena idéia destrutiva

Antes do ódio, antes dos golpes
Dos assobios e dos chicotes
Antes da pena e do desgosto
Você diz para terminarmos

Mas eu te beijo e isso passa
Eu sei bem
Não me livro de você assim

Eu poderia evitar o pior

Mas o melhor está por vir.

14 de jan. de 2008

Cineminha

Dois filmes que vi no final de semana:

PS. Eu te amo

Vi na hora errada.

Há quase 10 anos faleceu uma pessoa que foi muito especial pra mim. No início da semana resolvi me desvincular de nossas lembranças, mas pra isso precisei mexer em tudo que estava guardado, muito bem guardado. Reli diários, revi fotos que nem me lembrava mais, encontrei a flor do túmulo dele que peguei no dia do enterro, enfim, mil coisas.

Aí vejo esse filme. Fiquei totalmente fragilizada, óbvio. Perdas assim nunca são totalmente superadas, mas o tempo ajuda. E, sério, é só com ele que você pode contar nesses casos.

O filme é água com açúcar, mas é diferente dessas típicas comédias românticas. Eu particularmente achei triste, mas eu não sou uma boa referência, vamos combinar. Pra não ficar tão trágico, tem essa notícia sobre o filme que eu achei bem engraçada.

Meu nome não é Johnny

Incrível. O protagonista tinha que ser o Selton Mello, nem consigo visualizar outro ator. Filme sobre o consumo e o tráfico de drogas, baseado em fatos reais. Os personagens de Selton Mello e Cleo Pires formam um lindo casal porra louca que gasta tudo o que ganha com festas e curtição. Um dos melhores momentos do filme é a viagem que eles fazem à Europa onde ele, bêbado, começa a dar em cima de uma garota e ela, puta, o deixa para fora do quarto do hotel. Sem escolha, ele invade o quarto pela janela e começa a falar num italiano embromation com ela, cheio de romantismo. Muito engraçado.

Vale o ingresso e vale comprar o DVD depois.

3 de jan. de 2008

O que você vai ver no cinema em 2008?

Eu quero muito ver o novo do Tim Burton (foto abaixo), mas tem muitas outras opções aqui.

Sweeney Todd

Encantado pelo teatro

Será que um dia vou conseguir ver Mercadorias e Futuro?
Em 2008 não vou mais perder tantas coisas legais.

12 de nov. de 2007

Futuro Mais-Que-Perfeito

Mostras de filmes no Itaú Cultural
Avenida Paulista, 149

A mostra, que integra a programação da exposição Futuro do Presente, exibe o que já foi o futuro de nosso passado. Produções de autores como Wong Kar Wai, Andrei Tarkovsky, Michel Gondry, Jean-Luc Godard, Carlos Manga, Sérgio Machado e Wagner Morales trazem à tona abordagens criativas e inventivas do cinema sobre o futuro.

Programação

quinta 15 novembro
15h - O Homem do Sputnik
17h30 - Brazil, o Filme
20h30 - London Briefsexta

16 novembro
15h - Onde a Terra Acaba e O Homem do Morcego
17h30 - Alphaville
20h30 - Natureza Morta e Operários ao Sair da Fábrica

sábado 17 novembro
15h - Uma Aventura aos 40
17h30 - Natureza Quase Humana
20h30 - Enredando as Pessoas

domingo 18 novembro
15h - Os Cosmonautas
17h30 - Minority Report - a Nova Lei
20h30 - Retrospectiva Wagner Morales

terça 20 novembro
15h - 2046 Os Segredos do Amor
17h30 - Stalker
20h30 - Love is a Treasure

6 de nov. de 2007

Cine segunda

Pois então, eu realmente passei o dia pelos cinemas.
Comecei com Screamers (Ingl/EUA) no Cine Bombril, depois vi Tropa de Elite (eu era a única do planeta que ainda não tinha assistido) no Cinemark do Eldorado e, pra finalizar, Transformaram nosso Deserto em Fogo (Sudão/Chade/EUA), no Cinesesc.

A temática foi proposital. Eu me dei de presente um tratamento de choque hoje. Precisava me lembrar, a qualquer custo, do quanto eu sou feliz por ter a vida que tenho. Sem demagogia. A gente esquece, sabe? Pra mim não adianta livrinho de auto-ajuda, não. Tem que quebrar tudo, dar porrada, jogar no chão, socar até sangrar.

Screamers é um documentário sobre genocídios, em especial o armênio, que ocorreu no início do século passado. A trama é toda entrelaçada com a ideologia da banda System of a Down, que luta pelo reconhecimento de tamanha atrocidade pela Turquia. O documentário conta com depoimentos muito fortes, como o caso do avô do Serj Tankian (vocalista) que viu seus pais serem decapitados. Ele não podia sequer desviar o olhar, sob a pena de ser torturado pelos turcos.

Tropa de Elite dispensa comentários. Até meu gato Valentim de cinco meses sabe qual é o enredo. Mais um filme que trata a triste realidade que é a relação tráfico e polícia. Saí de lá como se tivesse acabado de sair do morro. Sensação de nó na garganta, de não ter pra onde ir.

Transformaram nosso Deserto em Fogo é mais um documentário sobre genocídio, dessa vez sobre a população de Darfur, no Sudão. Enquanto escrevo esse texto, tem gente inocente morrendo por lá. O próprio governo quer exterminar parte de sua população. A coisa mais absurda do mundo e NINGUÉM tem conhecimento. Eu nunca tinha ouvido falar em Darfur. O filme é resultado do trabalho de um fotógrafo chamado Mark Brecke, que ficou indignado com a omissão da ONU diante do problema.

Três filmes sobre crueldade. Desamor. Interesse.
O ser humano é capaz de qualquer coisa.
Não tem limite.
Não tem compaixão.
Tanta gente morrendo por nada e o mundo todo alienado, se lambendo na micareta.
Hoje eu fiquei diferente e é pra sempre.