Ele: dê?
Eu: rafa?
Ele: daia?
Eu: é!
Ele: liguei errado!
Eu: hahahaha
Ele: tudo bem?
Eu: tudo, tô no cinema.
Ele: qual?
Eu: na reserva.
Ele: nossa, tô em frente. posso ir aí?
Eu: pode!
E foi assim que eu assisti
Darfur Urgente com o Rafa hoje à noite. Parece piada. O acontecimento, claro, porque o filme não tem nada de engraçado.
Já falei sobre Darfur aqui na época da Mostra, quando assisti
Transformaram nosso deserto em fogo. Enquanto o
Transformaram tem uma característica mais de denúncia, o
Darfur aponta soluções, mostrando as ações de seis pessoas que, cada qual a seu modo, têm trabalhado para acabar com o genocídio nessa região.
O protagonismo é a mensagem-chave desse filme. Em um determinado momento foi falado que se você fizer alguma coisa, por menor que seja, já é melhor que não fazer nada. E é bem isso mesmo. O que acontece em Darfur deixou de ser um problema local. É de todo mundo.
Preocupante, mas “natural”, é o sentimento de revolta desse povo. Eles têm a vingança como maior objetivo de vida. Fala-se muito nisso, a todo momento. O grupo oficial de rebeldes tem até musiquinha, uma coisa de encontrar o inimigo e matá-lo.
Mas o mais importante é que os líderes dessa guerra foram descobertos. São duas pessoas do próprio governo do Sudão. Eles foram intimados e, se Deus quiser, serão punidos.
Darfur Urgente é um dos documentários que integra o
Festival É Tudo Verdade, que acontece em SP e RJ de 27/03 a 06/04, em Bauru de 10 a 13/04, Brasília de 14 a 20/4, Recife de 17 a 20/04 e Caxias do Sul de 24 a 27/4.
Tive oportunidade de participar da abertura oficial, que teve
Stranded como filme de estréia. O próprio diretor, Gonzalo Arijon, nos apresentou o filme, dizendo que se tratava de um relato de seus amigos, sobreviventes do avião que caiu na Cordilheira dos Andes na década de 70.
Todo mundo sabe que, para sobreviver, eles foram obrigados a se alimentar dos corpos das pessoas que estavam mortas. Foram 72 dias vivendo numa montanha de neve, sem o mínimo de recurso, sujeito a avalanches, frio, fome, sede e todo tipo de necessidade que se possa imaginar.
Particularmente achei interessantíssimo o aspecto religioso desse documentário. A única coisa que restou aos sobreviventes foi a fé e foi somente ela que os ajudou a resistir por tanto tempo nessa situação. Trinta e cinco anos depois, um deles afirmou: “naquele tempo eu ainda acreditava em Deus”. A filha dele perguntou: “você não acredita mais?” E ele respondeu que agora não precisava mais de Deus, afinal ele tinha casa, família, comida, etc.
A forma como eles lidaram com a questão da alimentação foi de muita sabedoria. Eles transcenderam a matéria e tinham a clara convicção de que não estavam se alimentando do amigo e sim do seu corpo. O amigo tinha virado um espírito de luz, descansando em algum lugar. Eles reforçavam muito essa expressão de descanso no rosto de quem tinha falecido. Pra resumir, os sobreviventes e os mortos eram uma sociedade, onde até os mortos fizeram seu papel, que era ajudá-los a sobreviver.
No aspecto social, é muito curioso observar a forma como eles estabeleceram um convívio harmônico baseado em leis que eles criaram instintivamente. Existia um líder, divisão de tarefas, divisão igualitária da comida, o tratamento preferencial aos doentes, entre outras coisas. Tudo funcionou em perfeita harmonia. Sem ordem eles morreriam.
Bem, já montei minha programação e amanhã pretendo ver
Minimata: a vitória das vítimas. Trata-se da história de pessoas que sofreram doenças e deformidades genéticas decorrentes de abusos de uma companhia química no Japão.
Depois eu conto. Até.