Certa vez, há muito tempo – eu deveria ter doze ou treze anos-, tentei explicitá-lo, explicitar o vazio, o medo abismal em que eu às vezes desmorono. É como se eu fosse despencar do mundo. A verdade é que me faltam as palavras, o mar reflui e me arrasta com ele, não consigo opor resistência – o que eu tampouco quero -; só desejo desaparecer para todo o sempre.
Mergulhando nas trevas ameaçadoras, vou ao encontro do medo a fim de me entregar a ele e, conforme o tempo escoa, sinto-me entontecida, odeio esse corpo entontecido, quero desfazer-me dele, quero perdê-lo, quero que cesse todo e qualquer pensar. Trata-se de uma mescla de desvario, volúpia e melancolia.
Quando tudo passa, deixa atrás de si uma terrível acuidade, uma clareza branca e elétrica em que eu sei não querer estar, consciente de que tudo se apresenta revestido de uma camada de ódio; as plantas, as coisas, o caminho pelo qual eu ia todos os dias à escola, até que essa tormenta arrefece, dando lugar a uma calma voluptuosa que me reconcilia com tudo, ainda que eu tenha a consciência de que toda e qualquer coisa apresenta a espessura de uma membrana, transparente.
A ilusão de que jamais voltarei a me acostumar com o mundo por estar nele e ao mesmo tempo não estar, e ter que ajustar esses elementos antípodas irreconciliáveis.
Cees Nooteboom em Paraíso Perdido, pág.32
12 de mar. de 2009
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Tô fazendo publicidade gratuita do filme de vocês no meu blog. A contrapartida secreta: você me arranjar credencial permanente pra mostra de documentários da Reserva... rs. Sugiro que você nos contextualize antes de nos empurrar no fosso alheio: fiquei assustado demais no primeiro parágrafo, pensando que era seu. Bom, se você transcreveu aqui é porque é um pouquinho seu também. Se cuide. Não fuja das vistas amigas. Beijo.
ResponderExcluirÉ que tô com medo que a mostra de vocês acabe tendo as prévias das filas que o "É Tudo Verdade" todo ano tem... Será? Perdi muita coisa no que fui por conta das filas, que chegavam naquele bar na esquina do Cinesesc. Mas vamos tentar combinar de ver umas coisas juntos? No de vocês eu quero muito ver o "Personal Che" e o "Aborto dos Outros". No "É Tudo Verdade", vou tentar pegar umas cabines semana que vem pra eliminar alguns, mas é capaz de que eu veja quase todos no festival mesmo. Enfim. Te respondi com um no mesmo pique, ó.
ResponderExcluirEu já tinha ido no Ibotirama 2.0 várias vezes. No começo tocavam samba e no final estavam no tal do "technico". Mas tinha que ver como fecharam o Ibotirama: chegaram dois policiais, um deles com uma arma daquelas de botar pressão, e o pessoal de lá começou a distribuir as contas. No dia seguinte estava cheio de tijolo barrando o Ibot. Enfim. A propósito, aceitumdrink?
ResponderExcluirFinalmente a APCA deixou eu baixar o cd... muito legal mesmo, boa dica ;)
ResponderExcluirbjos
e o título de amiga mais assustadora da noite vai para...
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