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12 de mar. de 2009

Contextos

Certa vez, há muito tempo – eu deveria ter doze ou treze anos-, tentei explicitá-lo, explicitar o vazio, o medo abismal em que eu às vezes desmorono. É como se eu fosse despencar do mundo. A verdade é que me faltam as palavras, o mar reflui e me arrasta com ele, não consigo opor resistência – o que eu tampouco quero -; só desejo desaparecer para todo o sempre.

Mergulhando nas trevas ameaçadoras, vou ao encontro do medo a fim de me entregar a ele e, conforme o tempo escoa, sinto-me entontecida, odeio esse corpo entontecido, quero desfazer-me dele, quero perdê-lo, quero que cesse todo e qualquer pensar. Trata-se de uma mescla de desvario, volúpia e melancolia.

Quando tudo passa, deixa atrás de si uma terrível acuidade, uma clareza branca e elétrica em que eu sei não querer estar, consciente de que tudo se apresenta revestido de uma camada de ódio; as plantas, as coisas, o caminho pelo qual eu ia todos os dias à escola, até que essa tormenta arrefece, dando lugar a uma calma voluptuosa que me reconcilia com tudo, ainda que eu tenha a consciência de que toda e qualquer coisa apresenta a espessura de uma membrana, transparente.

A ilusão de que jamais voltarei a me acostumar com o mundo por estar nele e ao mesmo tempo não estar, e ter que ajustar esses elementos antípodas irreconciliáveis.

Cees Nooteboom em Paraíso Perdido, pág.32


17 de dez. de 2008

gotinhas

FOLHA DE S. PAULO- O que mais apaixona você hoje?
CARPINEJAR - Tantas coisas: o cheiro dos cabelos da mulher saindo do banho, fantasia de tenista, canetas coloridas, futebol, os cílios do meu filho, os olhos caídos da minha filha, a convivência do café da manhã... E amo escrever. É o momento em que eu danço.

Publicado na Folha de São Paulo, caderno Folhateen São Paulo (SP), 8/12/2008

16 de dez. de 2008

frase do dia

Só cronistas velhos sabem escrever sobre a felicidade. Aos jovens, ou nem tanto, resta ser triste ou melancólico - que é menos arriscado.

Do blog do JP Cuenca.

13 de out. de 2008

Cachos


Eu conheci a Miranda July este final de semana por causa da moça da pesquisa de carros. Eu sempre quis responder pesquisas de mercado, isso sempre foi quase o maior sonho da minha vida, mas nunca pude por ser jornalista. No sábado não, no sábado eu podia, eu até perguntei pra ela “pode mesmo?” e “pode”, podia.

Acontece que era uma pesquisa sobre carros e a primeira pergunta era você tem carro? Não, eu não tenho carro. Você dirige? Não, eu não dirijo. E foi assim que eu fui excluída da minha primeira participação em uma pesquisa de mercado dois segundos depois de conseguir participar de uma.

Vale dizer que isso aconteceu dentro de uma livraria e, andando em círculos, involuntariamente, me deparei com uma linda capa de livro onde uma pessoa de uns três metros de altura abraça uns quatrocentos travesseiros.

É claro que você sabe do que eu estou falando, dizia o livro em letras garrafais, quase gritando comigo um “eu também me fodo, sua egoistazinha, olha aqui pra mim”.

Enfim, recomeço.

Dia lindo hoje.

5 de set. de 2008

O amor que choveu


Era uma vez um menino que amava demais. Amava tanto, mas tanto, que o amor nem cabia dentro dele. Saía pelos olhos, brilhando, pela boca, cantando, pelas pernas, tremendo, pelas mãos, suando. (Só pelo umbigo é que não saía: o nó ali é tão bem dado que nunca houve um só que tenha soltado).

O menino sabia que o único jeito de resolver a questão era dando o amor à menina que amava. Mas como saber o que ela achava dele? Na classe, tinha mais quinze meninos. Na escola, trezentos. No mundo, vai saber, uns dois bilhões? Como é que ia acontecer de a menina se apaixonar justo por ele, que tinha se apaixonado por ela?

O menino tentou trancar o amor numa mala, mas não tinha como: nem sentando em cima o zíper fechava. Resolveu então congelar, mas era tão quente, o amor, que fundiu o freezer, queimou a tomada, derrubou a energia do prédio, do quarteirão e logo o menino saiu andando pela cidade escura ― só ele brilhando nas ruas, deixando pegadas de Star Fix por onde pisava.

O que é que eu faço? ― perguntou ao prefeito, ao amigo, ao doutor e a um pessoalzinho que passava a vida sentado em frente ao posto de gasolina. Fala pra ela! ― diziam todos, sem pensar duas vezes, mas ele não tinha coragem. E se ela não o amasse? E se não aceitasse todo o amor que ele tinha pra dar? Ele ia murchar que nem uva passa, explodir como bexiga e chorar até 31 de dezembro de 2978.

Tomou então a decisão: iria atirar seu amor ao mar. Um polvo que se agarrasse a ele ― se tem oito braços para os abraços, por que não quatro corações, para as suas paixões? Ele é que não dava conta, era só um menino, com apenas duas mãos e o maior sentimento do mundo.

Foi até a beira da praia e, sem pensar duas vezes, jogou. O que o menino não sabia era que seu amor era maior do que o mar. E o amor do menino fez o oceano evaporar. Ele chorou, chorou e chorou, pela morte do mar e de seu grande amor.

Até que sentiu uma gota na ponta do nariz. Depois outra, na orelha e mais outra, no dedão do pé. Era o mar, misturado ao amor do menino, que chovia do Saara à Belém, de Meca à Jerusalém. Choveu tanto que acabou molhando a menina que o menino amava. E assim que a água tocou sua língua, ela saiu correndo para a praia, pois já fazia meses que sentia o mesmo gosto, o gosto de um amor tão grande, mas tão grande, que já nem cabia dentro dela.

Originalmente publicado no blog de Antonio Prata no projeto Amores Expressos.

13 de jul. de 2008

Jeanne ama Caio

...mas também ama o Nasi.

8 de jul. de 2008

Inveja

Neil Gaiman bate recorde de autógrafos na Festa de Paraty

Cerca de 600 pessoas pediram um autógrafo do autor de 'Sandman', cultuado personagem de HQ, na Flip.
Estadão de ontem. Leia aqui.
Sei lá, às vezes eu acho que ele não é de verdade.

6 de jul. de 2008

Entardecer

Sou apaixonada pelo nome de um livro do Marçal Aquino: “Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios”. Descobri essa semana que o texto foi adaptado para o cinema e está sendo filmado pelo Beto Brant, que fez “Cão sem Dono” baseado no livro do Galera, “Até o dia em que o cão morreu”.

Nessa onda de títulos bonitos também tem o “Sonho interrompido por guilhotina”, do Terron.

Seguindo essa linha poética, mergulhei esse final de semana em meu acervo de textos. Esse já foi publicado, mas tinha me esquecido:

Acordou chorando baixinho em um quarto com cheiro de chuva. Já era tarde. Passou a madrugada nas danças crucificadas da vida, tentando entender o que é existir. Experimentou um novo figurino e montou um picadeiro em sua grande ilusão. Vida de faz-de-conta. E fala baixo senão ela grita.

[Grito mesmo]

19 de jun. de 2008

pimenta nos olhos outros

Na minha enorme busca por sites e blogs gore (trabalho, trabalho), encontrei um blog bem bizarro que narra situações obscuras pela visão de um repórter policial que vê cadáver todos os dias.

O site é esse aqui. Divirta-se, acho.

13 de jun. de 2008

Os namorados



Tenho trabalhado tanto, mas penso sempre em você. Mais de tardezinha que de manhã, mais naqueles dias que parecem poeira assentada aos poucos e com mais força enquanto a noite avança. Não são pensamentos escuros, embora noturnos. Tão transparentes que até parecem de vidro, vidro tão fino que, quando penso mais forte, parece que vai ficar assim clack! e quebrar em cacos, o pensamento que penso de você. Se não dormisse cedo nem estivesse quase sempre cansado, acho que esses pensamentos quase doeriam e fariam clack! de madrugada e eu me veria catando cacos de vidro entre os lençóis. Brilham, na palma da minha mão. Num deles, tem uma borboleta de asa rasgada. Noutro, um barco confundido com a linha do horizonte, onde também tem uma ilha. Não, não: acho que a ilha mora num caquinho só dela. Noutro, um punhal de jade. Coisas assim, algumas ferem, mesmo essas que são bonitas. Parecem filme, livro, quadro. Não doem porque não ameaçam. Nada que eu penso de você ameaça. Durmo cedo, nunca quebra.

Daí penso coisas bobas quando, sentado na janela do ônibus, depois de trabalhar o dia inteiro, encosto a cabeça na vidraça, deixo a paisagem correr, e penso demais em você. Quando não encontro lugar para sentar, o que é mais freqüente, e me deixava irritado, descobri um jeito engraçado de, mesmo assim, continuar pensando em você. Me seguro naquela barra de ferro, olho através das janelas que, nessa posição, só deixam ver metade do corpo das pessoas pelas calçadas, e procuro nos pés daquelas aqueles que poderiam ser os seus. (A teus pés, lembro.). E fico tão embalado que chego a me curvar, certo que são mesmo os seus pés parados em alguma parada, alguma esquina. Nunca vejo você - seria, seriam?

Boas e bobas, são as coisas todas que penso quando penso em você. Assim: de repente ao dobrar uma esquina dou de cara com você que me prega um susto de mentirinha como aqueles que as crianças pregam umas nas outras. Finjo que me assusto, você me abraça e vamos tomar um sorvete, suco de abacaxi com hortelã ou comer salada de frutas em qualquer lugar. Assim: estou pensando em você e o telefone toca e corta o meu pensamento e do outro lado do fio você me diz: estou pensando tanto em você. Digo eu também, mas não sei o que falamos em seguida porque ficamos meio encabulados, a gente tem muito pudor de parecer ridículos melosos piegas bregas românticos pueris banais. Mas no que eu penso, penso também que somos meio tudo isso, não tem jeito, é tudo que vamos dizendo, quando falamos no meu pensamento, é frágil como a voz de Olívia Byington cantando Villa-Lobos, mais perto de Mozart que de Wagner, mais Chagal que Van Gogh, mais Jarmush que Win Wenders, mais Cecília Meireles que Nelson Rodrigues.

Tenho trabalhado tanto, por isso mesmo talvez ando pensando assim em você. Brotam espaços azuis quando penso. No meu pensamento, você nunca me critica por eu ser um pouco tolo, meio melodramático, e penso então tule nuvem castelo seda perfume brisa turquesa vime. E deito a cabeça no seu colo ou você deita a cabeça no meu, tanto faz, e ficamos tanto tempo assim que a terra treme e vulcões explodem e pestes se alastram e nós nem percebemos, no umbigo do universo. Você toca minha mão, eu toco na sua.

Demora tanto que só depois de passarem três mil dias consigo olhar bem dentro dos seus olhos e é então feito mergulhar numas águas verdes tão cristalinas que têm algas na superfície ressaltadas contra a areia branca do fundo. Aqualouco, encontro pérolas. Sei que é meio idiota, mas gosto de pensar desse jeito, e se estou em pé no ônibus solto um pouco as mãos daquela barra de ferro para meu corpo balançar como se estivesse a bordo de um navio ou de você. Fecho os olhos, faz tanto bem, você não sabe. Suspiro tanto quando penso em você, chorar só choro às vezes, e é tão freqüente. Caminho mais devagar, certo que na próxima esquina, quem sabe. Não tenho tido muito tempo ultimamente, mas penso tanto em você que na hora de dormir vezemquando até sorrio e fico passando a ponta do meu dedo no lóbulo da sua orelha e repito repito em voz baixa te amo tanto dorme com os anjos. Mas depois sou eu quem dorme e sonha, sonho com os anjos. Nuvens, espaços azuis, pérolas no fundo do mar. Clack! como se fosse verdade, um beijo.

Caio Fernando Abreu em Pequenas Epifanias com foto de Henri Cartier-Bresson

2 de abr. de 2008

Quintana

Li hoje no Estadão:

“A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer”, dizia Mario Quintana.

3 de mar. de 2008

Todo carnaval tem seu fim

Amai o próximo como a ti mesmo. Talvez esteja aí a falência desse amor ocidental: já imaginaram quão sufocante é impor ao outro o jeito que você se ama? Como acolher a diferença? Como permitir brechas para que o outro consiga criar e recriar novas possibilidades nesse amor que está sendo compartilhado?

Do Vitor Freire.

19 de fev. de 2008

Amor



QUANTAS VEZES EU ASSASSINEI O AMOR?
Fabrício Carpinejar

O amor nunca morre de morte natural. Añais Nin estava certa.

Morre porque o matamos ou o deixamos morrer.

Morre envenenado pela angústia. Morre enforcado pelo abraço. Morre esfaqueado pelas costas. Morre eletrocutado pela sinceridade. Morre atropelado pela grosseria. Morre sufocado pela desavença.

Mortes patéticas, cruéis, sem obituário e missa de sétimo dia.

Mortes sem sangramento. Lavadas. Com os ossos e as lembranças deslocados.

O amor não morre de velhice, em paz com a cama e com a fortuna dos dedos.

Morre com um beijo dado sem ênfase. Um dia morno. Uma indiferença. Uma conversa surda. Morre porque queremos que morra. Decidimos que ele está morto. Facilitamos seu estremecimento.

O amor não poderia morrer, ele não tem fim. Nós que criamos a despedida por não suportar sua longevidade. Por invejar que ele seja maior do que a nossa vida.

O fim do amor não será suicídio. O amor é sempre homicídio. A boca estará estranhamente carregada.

Repassei os olhos pelos meus namoros e casamentos. Permiti que o amor morresse. Eu o vi indo para o mar de noite e não socorri. Eu vi que ele poderia escorregar dos andares da memória e não apressei o corrimão. Não avisei o amor no primeiro sinal de fraqueza. No primeiro acidente. Aceitei que desmoronasse, não levantei as ruínas sobre o passado. Fui orgulhoso e não me arrependi. Meu orgulho não salvou ninguém. O orgulho não salva, o orgulho coleciona mortos.

No mínimo, merecia ser incriminado por omissão.

Mas talvez eu tenha matado meus amores. Seja um serial killer. Perigoso, silencioso, como todos os amantes, com aparência inofensiva de balconista. Fiz da dor uma alegria quando não restava alegria.

Mato; não confesso e repito os rituais. Escondo o corpo dela em meu próprio corpo. Durmo suando frio e disfarço que foi um pesadelo. Desfaço as pistas e suspeitas assim que termino o relacionamento. Queimo o que fui. E recomeço, com a certeza de que não houve testemunhas.

Mato porque não tolero o contraponto. A divergência. Mato porque ela conheceu meu lado escuro e estou envergonhado. Mato e mudo de personalidade, ao invés de conviver com minhas personalidades inacabadas e falhas.

Mato porque aguardava o elogio e recebia de volta a verdade.

O amor é perigoso para quem não resolveu seus problemas. O amor delata, o amor incomoda, o amor ofende, fala as coisas mais extraordinárias sem recuar. O amor é a boca suja. O amor repetirá na cozinha o que foi contado em segredo no quarto. O amor vai abrir o assoalho, o porão proibido, fazer faxina em sua casa. Colocar fora o que precisava, reintegrar ao armário o que temia rever.

O amor é sempre assassinado. Para confiarmos a nossa vida para outra pessoa, devemos saber o que fizemos antes com ela.

3 de jan. de 2008

O escândalo da Funarte

Todos os blogs literários que resolvi ler hoje falavam em algum momento sobre a confusão que foi o resultado da Bolsa Funarte de Estímulo à Criação Literária, carinhosamente intitulado FUNARTEGATE pelo Delfin :]

Eu não me inscrevi, mas sou interessada no assunto e fui acompanhando o processo. Pelo que vi, ficou por isso mesmo e é assim que vai ficar.

A zona toda se deu porque a Funarte divulgou os resultados três dias após o final das inscrições. Quer dizer, menos de três dias, considerando que as inscrições acabaram às 18h (se não me engano) de um dia e dois dias depois saiu a lista dos “vencedores”.

Realmente, é impossível que uma banca formada por cinco júris avalie quase 500 projetos nesse período. Por mais que eles argumentem que ficaram enclausurados num hotel se dedicando só a essa atividade, vamos combinar: não colou.

Como o júri afirmou que trabalhou mais de 12 horas por dia, o Douglas Kim fez o seguinte cálculo em seu blog:

204 trabalhos dividido por 12 horas = 17 trabalhos por hora.
60 minutos (uma hora) dividido por 17 trabalhos = 3,5 minutos por trabalho.

Vergonhoso, não?
Se quiser saber mais, acompanhe:

Del Rey
Versos e Acordes
Porn Book Club
Paralelos
Parole, Parole
Cativeiro Amoroso e Doméstico

Ou dê um google.

31 de out. de 2007

Carona com Carpinejar

Depois que eu descobri o Carpinejar, meus dias ficaram melhores. Pra ele eu me atrevo a replicar a frase que sempre usei em referência ao Chico Buarque: esse cara escreve tudo o que eu queria ter escrito um dia.

Adoro conhecer pessoas geniais. As mais complexas, as mais abstratas, as mais sensíveis e filhas da puta do mundo.

Segue parte do texto intitulado NA GARUPA, do próprio.

"Na saída do cinema, no centro de Santos, um jovem anda de mãos dadas com sua namorada. Dispersa um dos braços e retira o cadeado de sua bicicleta.
A menina observa constrangida o desenlace das rodas do poste. Um nervosismo suspeito, negando a firmeza do queixo.

- Quando você me ofereceu carona, achei que tivesse um carro.
- Você tem um motorista, já é alguma coisa.

Não havia banco de trás, qualquer outro apoio formal. Ele abriu seus braços e ela sentou de lado, na barra da bicicleta. Antes de pedalar, o rapaz a protegeu de uma chuva imaginária. Foi um abraço de garoa, gentil e compreensivo. Até a esquina se espichou para olhar.
Ela estava novamente surpresa. Agora de ternura.
Partiram lentos. O som multiplicando os aros.
Foram devagar, para a casa demorar de propósito. A casa não dependia de mais nada.
O ladear chinês da bicicleta, a montaria altiva, a aceitação da própria condição financeira sem recalque ou decepção. Uma elegância que nunca será superada por quem puxa a cadeira ou abre a porta do carro a uma mulher."

(...)

30 de out. de 2007

Eu gosto do Xico Sá

"se tu ou tu mesmo cabô chorare, e sempre tu e tu e solamente tu, pois mi corazón tututututututu de teléfono ocupado"