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17 de ago. de 2009

Você me parecia tão bem

Ela sabia que a sobriedade lhe traria dias sem sol com zumbido na TV.

Há anos ela sobreviveu aos clichês e até que suportou bem as dores, disfarçando na sala de estar.

Ela parecia caber tão bem dentro dele, só que ela nunca esteve lá.

Sentada na varanda que separa a água das cores, gritou. Viu sua vida rasgando os sonhos que construiu nos botequins. Seria bom nunca estar consciente demais.

E ela viu que tudo o que tinha eram as sobras do tempo de seus dias menos felizes. Ele deixava pra ela as muitas coisas de pouco valor que já não queria mais. Ela desenhava uma beleza com sangue nessa história que nunca quis se firmar.

E despertou como as moças maquiadas das novelas. Uma serenidade fingida, sofrida, vigiada. Era tudo uma brincadeira para saber quem se machucava mais.

Ela ganhou.

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