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31 de out. de 2007

Carona com Carpinejar

Depois que eu descobri o Carpinejar, meus dias ficaram melhores. Pra ele eu me atrevo a replicar a frase que sempre usei em referência ao Chico Buarque: esse cara escreve tudo o que eu queria ter escrito um dia.

Adoro conhecer pessoas geniais. As mais complexas, as mais abstratas, as mais sensíveis e filhas da puta do mundo.

Segue parte do texto intitulado NA GARUPA, do próprio.

"Na saída do cinema, no centro de Santos, um jovem anda de mãos dadas com sua namorada. Dispersa um dos braços e retira o cadeado de sua bicicleta.
A menina observa constrangida o desenlace das rodas do poste. Um nervosismo suspeito, negando a firmeza do queixo.

- Quando você me ofereceu carona, achei que tivesse um carro.
- Você tem um motorista, já é alguma coisa.

Não havia banco de trás, qualquer outro apoio formal. Ele abriu seus braços e ela sentou de lado, na barra da bicicleta. Antes de pedalar, o rapaz a protegeu de uma chuva imaginária. Foi um abraço de garoa, gentil e compreensivo. Até a esquina se espichou para olhar.
Ela estava novamente surpresa. Agora de ternura.
Partiram lentos. O som multiplicando os aros.
Foram devagar, para a casa demorar de propósito. A casa não dependia de mais nada.
O ladear chinês da bicicleta, a montaria altiva, a aceitação da própria condição financeira sem recalque ou decepção. Uma elegância que nunca será superada por quem puxa a cadeira ou abre a porta do carro a uma mulher."

(...)

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