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5 de nov. de 2007

Era uma vez

Adoro contos de fada. Precisava ver “Os Irmãos Grimm”, o filme. Aproveitei o feriado prolongado pra ver o que queria e ainda não tinha tido tempo. Ele entrou no meio. Bom filme, nada de muito especial, tirando o fato que o roteiro mistura todas as principais obras dos caras. Em vários momentos retomei minha infância com os feitiços da bruxa má que queria ser a mais bonita do reino, o beijo que acorda a princesa, o sapo que vira príncipe com um beijo, o gigante, o lobo mau, a torre no meio da floresta, enfim, todo aquele mundo de coisas que a gente se apaixona enquanto criança (e que eu nunca deixei de amar).

Acabou o filme e coloquei na TV Cultura. Estava passando Direções, com o Mário Bortolotto. Fiquei vendo (peguei no final) e estava lá a turma da Praça Roosevelt. A primeira cena que vi foi com a Fernanda D’Umbra. “Billy, a garota”. A menina queria se matar e o cara queria transar. Ficaram um tempão argumentando a melhor escolha. Não sei o que aconteceu antes disso, só vi o desfecho.

Não sei nem dizer se é filme, tem uma puta linguagem de teatro. Achava que era antigo, mas é desse ano. Descobri por uma única razão: ele oferece a obra para Marisa Lobo, menina super do bem que faleceu agora em maio.

Conheci a Marisa em agosto do ano passado, no Berlim, completamente chapada. Conversamos bastante e depois nos adicionamos no Orkut, acompanhando essa contemporaneidade toda. Ficamos um tempo sem contato e em julho desse ano reencontrei o Eldo, amigo dela. Fui perguntar e “você não ficou sabendo?”. “Não, sabendo do quê?”. “Marisa se matou”. “QUÊ?”.

E assim foi.

Espero que a Marisa tenha gostado do filme.
Espero ainda que ela se encontre dentro das mais lindas histórias dos Grimm.

Um comentário:

  1. Eu sempre fico meio passada quando ouço que alguém minimamente conhecido se matou. Claro, essa moça não era minha conhecida, mas era sua e nós somos amigas e aí eu fico pensando que puxa, alguém da nossa idade teve a coragem de se matar. Porque suicídio é um ato de coragem também. De desistência, abandono, covardia, também. Mas tem que ser muito macho pra dar cabo da própria vida, pra ser jovem e se ver sem saída alguma. Eu acho muito triste. Sempre penso que há outras maneiras de se livrar do fardo.

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