Parabéns ao Estadão que conseguiu uma entrevista com o jornalista da Al-Jazira recém-libertado da prisão de Guantánamo, nosso mais recente pesadelo mundial. O jornalista, assim como muitos outros reféns, afirmou ter sido torturado e humilhado nos seis anos que passou na cadeia, sendo libertado da mesma maneira que foi preso: sem nenhuma explicação e prova contra ele.
Alguns trechos:
"Levaram meses para que me dissessem por que eu estava preso. Não sabia exatamente onde estava", afirmou.
Al-Hajj afirma que o acordo era simples. Ele seria solto imediatamente, indenizado e voltaria a trabalhar na Al-Jazira. Em troca, passaria todas as informações sobre a rede de TV aos americanos. "Queriam que eu me tornasse um espião da CIA, fornecendo todos os dados sobre quem era cada pessoa na emissora, como as pautas eram definidas, qual era a orientação dada a cada jornalista", explicou.
"Uma das coisas que os americanos mais queriam saber era como as fitas com os vídeos de Osama bin Laden chegavam até nós. Quem nos entregava, quem buscava e onde isso era feito. Queriam saber tudo sobre a relação da TV com o terrorismo. Eu não aceitei."
Em razão de sua recusa, Al-Hajj foi abandonado pelos militares americanos na prisão de Guantánamo por mais seis anos. "Fui torturado em Guantánamo. Várias vezes e de diversas formas, incluindo em minhas partes íntimas", afirmou o sudanês, que carrega as cicatrizes de vários golpes no rosto.
Leia a matéria na íntegra.
26 de jun. de 2008
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