É muito difícil exercer o desapego.
Você treina a vida inteira, mas esquece como lidar com ele na hora em que mais precisa.
Os seres precisam ir embora, porque aqui não é mesmo um bom lugar pra ficar. Definitivamente.
Eu tenho um gato de 17 anos que desde o início de dezembro apresenta um quadro péssimo de saúde. Os rins estão completamente debilitados e não há o que fazer. Aí eu olho pra ele e lembro de quando ele era pequeno, me buscando no jardim do colégio. Eu estava na quarta série. Gritava o nome dele feliz e ele rolava na grama, fazendo graça. Todos meus colegas de classe o conheciam.
As festas de aniversário que fazíamos pra ele com bolo de carne e piscininha de leite. O medo que ele tem de secador, quase perto do que eu tenho de siri. A mania que ele tem de querer dormir com todas as visitas que recebemos em casa. Os mil potes de requeijão que tivemos que jogar fora porque ele lambia tudo. É que ele ama requeijão. Ninguém no mundo vai ganhar dele nesse quesito.
E como ele fica horrível quando toma banho. Dorme bonitinho com o pescocinho virado pra cima. Reclama quando o volume do rádio está muito alto e começa a miar. Sempre foi muito solidário: convidava todos os amigos felinos da vizinhança para comer a ração dele na minha casa. Era impressionante!
Não tem rabo. Perdeu quando tinha apenas 01 ano e paquerava, acredite, uma cadela. Levou uma tijolada em pleno flerte e não teve outra solução. Ficou como marca registrada.
É famoso, já saiu até no site do Caco Galhardo. O Fábio gostava tanto de contar essa história que decidiu publicá-la. O Caco deixou e assim foi. Não tenho mais o link.
É hora de vê-lo partir.
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