Quando decidi há seis meses ser uma jornalista free-lancer eu tinha uma vaga idéia do sufoco que eu teria que passar financeiramente. O problema nem era conseguir trabalho, porque meus contatos (odeio essa palavra) me favoreciam. Amigos me passavam pautas e eu cuidava de fazer os textos (ou não, dei minhas mancadas).
A diminuição da renda mensal também não pode ser considerada um problema. Claro que eu não estava feliz com isso, mas era preferível do que permanecer numa vida corporativa que não tinha nada a ver comigo, me sujeitando a atividades cuja ética era duvidosa.
O problema sempre foi, de fato, minha total falta de capacidade de administrar a minha vida. Porque eu bebo dinheiro. Há um ano uma puta crise de identidade me incentivou a fazer tudo o que eu quisesse sem medir as conseqüências. Como resultado, deixei de pagar TODAS as minhas contas mensais para mergulhar numa vida boêmia que parece estar arraigada em mim.
E hoje eu sou isso: uma pessoa que teve que fazer empréstimos estratosféricos (para mim, ao menos) pra conseguir ajeitar a vida naquele momento. O que foi bom, assumo. Mas eu não tenho jeito, não. Já desajeitei tudo de novo.
Lendo o Carpinejar hoje, me senti em família. Escritores me entendem sempre. Ele está lá, todo ferrado como eu. Meu consolo é ver que ele também passa por isso. Já o dele é saber que grandes nomes como Rubem Braga e Graciliano Ramos também eram errantes e fodidos como nós, meros mortais.
Não que eu esteja me colocando no mesmo patamar que o Carpinejar, veja bem. Mas algumas pessoas são assim. Umas economizam, outras vivem. E assim sempre vai ser.
3 de jan. de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário